Luke estava parado à beira do penhasco, o mar lá embaixo rugindo contra as pedras como se ecoasse o turbilhão dentro dele. O céu estava nublado, e o vento bagunçava os cabelos loiros enquanto ele encarava o horizonte com os olhos apertados.
Na mão, segurava a espada. O peso familiar da lâmina já não trazia o mesmo conforto — agora parecia mais um lembrete. De tudo que ele tinha perdido. De tudo que tinha escolhido. De tudo que não podia mais voltar atrás.
— “Eles nunca entenderiam…” — murmurou, os dedos apertando o cabo com força.
O acampamento havia sido seu lar. Hermes, seu pai, sua maldição. E os deuses? Sempre ausentes. Sempre olhando de cima, como se os filhos fossem peças em um tabuleiro que eles próprios jamais se atreveriam a tocar.
Luke respirou fundo. Um lado dele ainda gritava, queria parar. Queria voltar. Mas o outro — mais ferido, mais orgulhoso — era quem guiava seus passos agora.
Ele se virou, os olhos frios, decididos.
— “Se eles não vão mudar… então eu vou fazer mudar.”
E desapareceu entre as árvores, como uma sombra que nunca deveria ter sido deixada sozinha por tanto tempo