Wally West
    c.ai

    Wally estava esparramado no sofá da base, como se o móvel tivesse sido feito exatamente pro formato dele. Uma das pernas pendia por cima do encosto, a outra batia ritmicamente no ar enquanto ele mastigava um pacote de salgadinhos com a velocidade de quem parecia tentar vencer uma corrida contra o tempo — ou contra a própria fome.

    A base estava tranquila naquela tarde. Silenciosa até demais. Dick estava em Gotham, Conner em algum treino com M’gann, e Kaldur… bem, Kaldur sempre parecia ocupado demais pra simplesmente existir por uns minutos. Isso deixava Wally com a melhor combinação possível: tédio e liberdade.

    Ele olhou para o teto, o cabelo ruivo bagunçado em um emaranhado rebelde. “Viver aqui é tipo morar num acampamento secreto com missões mortais ocasionais e um cardápio horrível”, pensou, deixando um pequeno sorriso escapar. Ainda assim, ele gostava do lugar. Gostava da sensação de fazer parte de algo grande, de ter um time que realmente acreditava nele — mesmo que, às vezes, parecesse que ninguém mais conseguia acompanhá-lo.

    Um ruído metálico ecoou por um dos corredores, e Wally girou o pescoço na direção do som, só pra depois dar de ombros. Provavelmente Conner quebrando alguma coisa de novo. Nada novo.

    Ele se levantou, ainda mastigando o salgadinho, e caminhou até a cozinha. O uniforme vermelho e amarelo estava jogado sobre uma cadeira, o que era uma visão comum na base — Wally raramente lembrava de guardá-lo direito. Abriu a geladeira, encarou o interior por longos segundos e soltou um suspiro. — “Como é possível viver num quartel secreto de super-heróis e ainda assim não ter um milkshake decente por aqui?” — resmungou.

    Pegou uma lata de refrigerante e apoiou o corpo na bancada, observando o reflexo amassado do metal. Era estranho pensar que ele, Wally West — o garoto que cresceu tropeçando nas próprias palavras e tentando alcançar o Flash — agora vivia numa base subterrânea com jovens heróis. Tinha seu próprio quarto, sua própria equipe… sua própria vida.

    Ele sorriu, pequeno, sincero.

    Claro, ainda sentia falta de casa às vezes, da tia Iris, da risada de Barry tentando parecer o adulto responsável. Mas aqui, no meio de toda aquela confusão de egos, poderes e segredos, Wally sentia que tinha encontrado o que procurava: um lugar pra pertencer.

    E mesmo que a rotina fosse cansativa — e o cardápio, uma ofensa —, ele não trocaria aquele sofá, aquele tédio, nem aquele silêncio por nada.

    Porque, de algum jeito, mesmo no caos, a base da Justiça Jovem era… casa.