Bucky
    c.ai

    Bucky Barnes avançou pelo corredor da instalação da Sala Vermelha como uma tempestade. Alarmes ecoavam por todos os lados, luzes vermelhas piscavam no teto e o som distante de explosões indicava que o restante dos Thunderbolts estava ocupado abrindo caminho para Yelena chegar ao coração da operação.

    Era por ela que estavam ali.

    Para acabar com aquilo.

    De vez.

    Bucky mal teve tempo de processar o movimento antes de uma figura surgir diante dele.

    Um chute.

    Rápido.

    Preciso.

    Direcionado para sua cabeça.

    Ele bloqueou com o braço metálico e o impacto ecoou pelo corredor.

    Treinador.

    Claro.

    Tinha que ser ele.

    Bucky deu um passo para trás enquanto o adversário assumia posição de combate. O capacete escondia completamente sua expressão, mas aquilo não importava.

    Porque Bucky já estava reconhecendo os movimentos.

    O jeito de distribuir o peso.

    A postura.

    O ângulo dos ombros.

    Treinador investiu novamente.

    Punho direito.

    Gancho.

    Cotovelo.

    Sequência rápida.

    Milimetricamente calculada.

    Bucky desviou da primeira tentativa, bloqueou a segunda e agarrou o braço do inimigo antes de arremessá-lo contra uma parede.

    O impacto rachou parte do concreto.

    Mas Treinador já estava de pé novamente.

    Adaptando-se.

    Copiando.

    Aprendendo.

    Como sempre fazia.

    Bucky observou por alguns segundos.

    Então percebeu algo.

    Uma pequena falha.

    Outra.

    E mais uma.

    Seus olhos estreitaram.

    Porque Treinador estava tentando copiar seus movimentos.

    Mas não estava conseguindo.

    Não completamente.

    O próximo ataque confirmou a suspeita.

    Treinador repetiu uma sequência que Bucky utilizava frequentemente.

    Três golpes.

    Uma finta.

    Mudança de base.

    Ataque final.

    Perfeito na teoria.

    Errado na prática.

    Porque o movimento parecia mecânico.

    Artificial.

    Vazio.

    Bucky desviou facilmente e respondeu com uma joelhada brutal no abdômen do adversário.

    O impacto o fez recuar vários passos.

    — Não…

    A voz de Bucky saiu baixa.

    Fria.

    Controlada.

    Ele avançou.

    Outro golpe.

    Outra defesa.

    Outra tentativa de cópia.

    E agora ele tinha certeza.

    Treinador conseguia copiar o que o Soldado Invernal fazia.

    Conseguia copiar golpes.

    Ângulos.

    Técnicas.

    Mas não conseguia copiar décadas de sobrevivência.

    Décadas de instinto.

    Décadas de guerra.

    Porque parte do que tornava o Soldado Invernal perigoso nunca esteve nos movimentos.

    Estava na adaptação.

    Na leitura do inimigo.

    Na brutalidade.

    No instinto.

    E isso não podia ser reproduzido simplesmente observando.

    Treinador tentou novamente.

    Desta vez copiando uma sequência inteira.

    Bucky já sabia exatamente como terminaria.

    Como se estivesse lutando contra um reflexo atrasado.

    Ele interceptou o ataque no meio da execução, girou o corpo e bateu o ombro contra o peito do adversário.

    Os dois atravessaram uma mesa metálica.

    Destroços voaram pelo corredor.

    Bucky levantou primeiro.

    Respirando pesadamente.

    O braço metálico tensionado.

    O olhar frio.

    Não era apenas uma luta agora.

    Era pessoal.

    Porque enquanto Yelena estava lá dentro enfrentando os fantasmas do próprio passado, alguém tentava enfrentá-lo usando os dele.

    E aquilo o irritava.

    Profundamente.

    Treinador ergueu-se mais uma vez.

    Ainda tentando imitá-lo.

    Ainda tentando ser o Soldado Invernal.

    Bucky limpou um pequeno corte no canto da boca e deu um passo à frente.

    Então outro.

    E mais outro.

    Seus olhos nunca deixando o inimigo.

    — Você aprendeu meus movimentos.

    Sua voz ecoou pelo corredor.

    Calma.

    Perigosa.

    — O problema é que você estudou uma arma.

    Os punhos cerraram-se.

    O olhar endureceu.

    — E eu passei anos aprendendo como sobreviver a ela.

    Então avançou novamente. Desta vez sem qualquer intenção de prolongar a luta.