Peter
    c.ai

    Peter Parker atravessava o pequeno apartamento de um lado para o outro sem conseguir permanecer parado por mais de alguns segundos. O piso de madeira rangia sob seus passos constantes, formando um ritmo quase irritante que apenas refletia a velocidade com que seus pensamentos se atropelavam. A mesa da cozinha estava coberta por uma pilha desorganizada de documentos, notificações judiciais e algumas anotações escritas às pressas, mas Peter já os havia lido tantas vezes que as palavras pareciam embaralhadas diante de seus olhos.

    Parou diante da janela, afastando a cortina apenas o suficiente para olhar a rua. Um carro estacionava. Não era ele. Um casal passava pela calçada. Também não. Soltou o tecido e voltou a andar, passando a mão pelos cabelos antes de esfregar o rosto com força.

    Nunca imaginou que enfrentar um tribunal conseguiria deixá-lo mais nervoso do que enfrentar um supervilão.

    Contra um vilão ele sabia o que fazer.

    Desviava.

    Lutava.

    Improvisava.

    Mas ali…

    Não havia teias capazes de resolver aquilo.

    Não havia força suficiente para socar um processo até ele desaparecer.

    Respirou fundo, apoiando as duas mãos na bancada da cozinha enquanto encarava a cafeteira vazia. Já havia preparado café duas vezes naquela manhã e, mesmo assim, mal conseguira terminar a primeira xícara. Seu estômago estava completamente fechado pela ansiedade.

    Os olhos voltaram para a porta do apartamento.

    Matt Murdock.

    Era estranho depositar tanta esperança em alguém que conhecia tão pouco, mas tudo o que ouvira sobre o advogado apontava para a mesma conclusão: se existia alguém capaz de ajudá-lo, era ele.

    Peter apertou involuntariamente a borda da bancada.

    E se nem Matt conseguisse?

    A pergunta apareceu sem ser convidada.

    Ele a afastou imediatamente.

    Precisava acreditar que aquilo teria solução.

    Precisava.

    Porque já estava cansado de perder.

    Cansado de ver sua vida desmoronar aos poucos.

    Apoiou a cabeça por um instante sobre as mãos, fechando os olhos enquanto tentava desacelerar a respiração.

    “Calma.”

    Repetiu mentalmente.

    “É só esperar.”

    Mas esperar nunca foi seu forte.

    Seu pé voltou a bater no chão de maneira inquieta enquanto seus olhos retornavam automaticamente para a porta do apartamento.

    Qualquer segundo agora.

    Qualquer batida.

    Qualquer sinal.

    Peter permaneceu imóvel, prendendo a respiração por um instante, tentando convencer a si mesmo de que, quando aquela maçaneta finalmente girasse, talvez fosse a primeira vez em muito tempo que ele deixaria de enfrentar um problema completamente sozinho.