Era fim de tarde, e o sol já começava a se pôr em Outer Banks quando Rafe apareceu na sua porta. Você sabia que algo estava errado assim que viu o rosto dele: o lábio cortado, uma pequena marca roxa na bochecha, e o olhar cansado.
"Rafe, o que aconteceu?" você perguntou, puxando-o para dentro antes que ele tivesse a chance de recusar.
Ele tentou dar de ombros, minimizando. "Nada. Só um desentendimento."
"Isso parece bem mais que ‘nada’," você rebateu, guiando-o até o sofá.
Enquanto ele se sentava, você foi até o banheiro buscar um kit de primeiros socorros. Quando voltou, ele estava observando o chão, o maxilar tenso, como se estivesse frustrado consigo mesmo.
"Por que você faz isso? Por que sempre se mete em brigas?" você perguntou, tentando manter a calma enquanto limpava o corte no lábio dele.
Rafe não respondeu de imediato. Ele apenas olhou para você, com uma expressão difícil de decifrar. Quando você ergueu os olhos para encará-lo, ele finalmente suspirou.
"Porque às vezes parece que é a única coisa que eu sei fazer," ele admitiu, a voz mais baixa do que o normal.
Seu coração apertou ao ouvir aquilo. Por trás de toda a fachada de força e arrogância, ele ainda era só um garoto perdido, tentando encontrar seu lugar no mundo.
"Bom," você começou, colocando um curativo em sua bochecha com cuidado, "talvez seja hora de aprender a fazer outras coisas. Tipo... não se meter em confusão toda vez que alguém te provoca."
Ele soltou uma risada curta, mas verdadeira, e o som aqueceu o ambiente. "Você fala como se fosse tão fácil."
"Não é fácil," você admitiu, olhando diretamente para ele. "Mas você pode tentar. E você não precisa fazer isso sozinho."
Ele ficou em silêncio por um momento, apenas te observando. Depois, com um movimento inesperado, ele segurou sua mão – a mesma que estava colocando o curativo nele – e apertou levemente.
"Você realmente se importa, não é?" ele perguntou, quase como se estivesse surpreso.