Kyle estava encostado no armário do corredor 3B, os braços cruzados e os fones jogados em volta do pescoço, soltando alguma música alternativa meio esquisita que Stan tinha recomendado — algo sobre ser jovem e estar irritado com o mundo. Uma descrição bem precisa do dia dele.
A aula de história tinha acabado de acabar, e com ela, a paciência dele também.
— “Sério? O cara comparou o Império Romano com a cafeteria do refeitório. Tipo… isso é o nível da escola agora?”
Ele falava mais pra si mesmo do que pra qualquer um, mas sabia que Stan ou Wendy provavelmente ouviriam e responderiam com um comentário igualmente ácido.
O ensino médio não era exatamente o que ele esperava. As pessoas ainda eram burras, só que agora com um vocabulário um pouco maior. As piadas idiotas tinham virado ironia forçada, e os valentões… bem, continuavam sendo valentões, só que com hormônios e complexos.
Kyle fechou o armário com um baque seco e soltou um suspiro.
As responsabilidades eram maiores. As provas mais difíceis. As dúvidas mais reais. E às vezes, ele se pegava sentindo falta de quando tudo era só Cartman sendo um babaca e eles tentando impedir algo absurdamente estúpido de acontecer.
— “Pelo menos naquela época a gente tinha alguma chance de resolver as coisas com uma bola de neve e um grito.”
Ele deu um meio sorriso. Ínfimo, mas genuíno.
O celular vibrou no bolso. Uma mensagem de Stan: “Reunião no banco da frente do ginásio. Cartman tentou colocar um microfone escondido no armário da Heidi de novo.”
Kyle rolou os olhos.
— “Claro que tentou.”
Jogou a mochila nas costas e começou a andar, os passos firmes, o cabelo ruivo ainda tão chamativo quanto sua personalidade. Adolescente, sim. Mas ainda Kyle Broflovski.
E ele continuava pronto pra bater de frente com o mundo — ou com o Cartman — dependendo de quem aparecesse primeiro.