Thor
    c.ai

    Thor estava parado no meio da cozinha da pequena casa alugada pelos Vingadores, segurando uma caixa de cereal nas mãos como se fosse um artefato alienígena extremamente perigoso. Sua expressão era séria. Concentrada. Quase preocupada.

    Porque, segundo Tony Stark, eles precisavam agir como pessoas normais.

    Seres humanos comuns.

    Discretos.

    Sem chamar atenção.

    Thor não entendia exatamente como uma caixa de cereal ajudava nisso.

    Mas estava tentando.

    Realmente tentando.

    Os olhos desceram para a embalagem mais uma vez.

    Depois para a tigela sobre a mesa.

    Depois novamente para a embalagem.

    — Então os mortais realmente iniciam seus dias consumindo pequenos pedaços de açúcar colorido?

    Murmurou para si mesmo.

    Aquilo parecia estranho.

    Muito estranho.

    Mas aparentemente era normal.

    E normal era exatamente o que precisavam parecer.

    O Deus do Trovão despejou cereal na tigela com cuidado excessivo, como se estivesse executando uma estratégia militar complexa. O problema surgiu quando tentou adicionar leite.

    A caixa escapou de sua força por um segundo.

    Metade do conteúdo acabou sobre a bancada.

    Thor ficou imóvel.

    Observando o desastre.

    Tony iria reclamar.

    Definitivamente iria reclamar.

    Com um suspiro, pegou um pano e começou a limpar.

    Porque Steve havia explicado que pessoas normais limpavam a própria bagunça.

    Thor ainda não tinha certeza se acreditava nisso.

    Mas Steve raramente errava.

    Enquanto organizava a cozinha, ouviu vozes vindo da sala. Os outros Vingadores estavam espalhados pela casa tentando se adaptar à vida escondida. Aquilo era estranho para todos.

    Mas especialmente para ele.

    Thor estava acostumado a enfrentar exércitos.

    Monstros.

    Deuses.

    Não estava acostumado a fingir que era apenas um homem qualquer.

    Ainda assim, entendia a necessidade.

    Havia pessoas procurando por eles.

    Pessoas dispostas a capturá-los.

    Talvez matá-los.

    E colocar civis em perigo era algo que jamais permitiria.

    Por isso permanecia ali.

    Escondido.

    Esperando.

    Mesmo odiando cada segundo daquilo.

    Seu olhar desviou para a janela da cozinha.

    A rua parecia tranquila.

    Carros passavam ocasionalmente.

    Vizinhos caminhavam pelas calçadas.

    Uma vida comum.

    Uma vida simples.

    Thor observou aquilo por alguns instantes.

    Então percebeu algo curioso.

    Os mortais viviam daquela forma todos os dias.

    Sem armaduras.

    Sem poderes.

    Sem exércitos.

    Sem Mjölnir.

    Ainda assim continuavam.

    Criavam famílias.

    Construíam casas.

    Seguiam em frente.

    Havia uma coragem silenciosa nisso.

    Uma força diferente daquela encontrada nos campos de batalha.

    O pensamento arrancou um pequeno sorriso dele.

    Talvez aquela experiência não fosse completamente inútil.

    Talvez houvesse algo a aprender.

    Nesse exato momento, porém, outro problema surgiu.

    Thor observou a máquina de café no balcão.

    Estreitou os olhos.

    Aproximou-se.

    Inclinou a cabeça.

    E permaneceu encarando o aparelho por vários segundos.

    — Derrotei dragões de fogo. Enfrentei Loki incontáveis vezes. Sobrevivi ao Ragnarok…

    A mão pousou sobre a cafeteira.

    — Certamente consigo compreender esta máquina.

    A confiança em sua voz era absoluta.

    O que tornava ainda mais provável que algo explodisse nos próximos minutos.