Rick Sanches
    c.ai

    O interior da garagem estava silencioso pela primeira vez em muito tempo enquanto Rick Sanchez permanecia sentado na bancada, girando lentamente uma chave de fenda entre os dedos.

    Silêncio de verdade.

    Sem explosões.

    Sem alarmes.

    Sem perseguições interdimensionais.

    E ainda assim, ele continuava olhando para os monitores espalhados pelas paredes a cada poucos segundos.

    Paranoia.

    Velho hábito.

    Os sensores dimensionais piscavam constantemente em verde, dezenas de sistemas de segurança funcionando ao mesmo tempo ao redor da casa inteira. Rick instalou todos em menos de duas horas.

    Exagero?

    Talvez.

    Mas ele passou décadas perdendo Diane repetidamente.

    Não cometeria o mesmo erro outra vez.

    Os dedos dele bateram inquietos contra a mesa metálica enquanto os olhos desviavam automaticamente para a porta da garagem ao ouvir passos distantes dentro da casa.

    Imediatamente alerta.

    E imediatamente relaxando logo depois.

    Ainda estranho.

    Rick soltou uma risada baixa pelo nariz antes de esfregar o rosto cansadamente com a mão livre.

    Porque ela estava viva.

    Realmente viva.

    Diane Sanchez não era memória, gravação ou versão alternativa prestes a desaparecer.

    Era ela.

    A última.

    A única que sobrou.

    O peito dele apertava toda vez que percebia isso de novo.

    Rick inclinou a cabeça para trás na cadeira improvisada, observando o teto da garagem enquanto um sorriso pequeno, quase desacreditado, surgia no rosto.

    Ele conseguiu.

    Depois de tudo.

    Depois de universos destruídos, mortes, obsessões e anos perseguindo fantasmas…

    Ele finalmente conseguiu trazer Diane de volta.

    E agora estava apavorado.

    Claro que estava.

    Porque amar alguma coisa significava ter algo a perder outra vez.

    Rick passou a mão pelos cabelos grisalhos lentamente antes de se levantar abruptamente, já indo verificar outro monitor de segurança pela terceira vez em dez minutos.

    Ridículo.

    Ele sabia.

    Mas também sabia exatamente quantas coisas no multiverso adorariam arrancar aquilo dele.

    Mesmo assim…

    Mesmo paranoico.

    Mesmo esperando desastre em cada esquina.

    Rick não conseguia impedir aquele sentimento estranho crescendo no peito toda vez que ouvia Diane andando pela casa ou ria de alguma coisa no andar de cima.

    Felicidade.

    Simples.

    Crua.

    Quase esquecida.

    E talvez fosse exatamente isso que mais assustava ele agora.