Sam
    c.ai

    Sam Wilson empurrou o sofá alguns centímetros para a esquerda pela terceira vez.

    Parou.

    Observou.

    Franziu a testa.

    Empurrou novamente.

    — Agora sim.

    Mentira.

    Ainda não estava perfeito.

    Mas estava perto.

    Muito perto.

    Sam apoiou as mãos na cintura e analisou o apartamento inteiro. Caixas vazias estavam espalhadas pelos cantos, algumas ferramentas permaneciam sobre a mesa da cozinha e metade da sala parecia ter acabado de sobreviver a uma pequena reforma.

    O que, tecnicamente, era exatamente o que tinha acontecido.

    Porque Bucky merecia algo melhor.

    Muito melhor.

    Durante anos, o apartamento do ex-Soldado Invernal parecia mais um lugar onde alguém sobrevivia do que um lugar onde alguém vivia. Móveis antigos. Pouca decoração. Espaços vazios. Poucas coisas pessoais.

    Era funcional.

    Mas frio.

    Parecia temporário.

    Como se Bucky nunca tivesse acreditado que ficaria ali por muito tempo.

    Aquilo sempre incomodou Sam.

    Então decidiu resolver o problema.

    Ou pelo menos tentar.

    Ele pegou uma das caixas restantes e caminhou até a estante nova que havia montado horas antes. Colocou alguns livros nas prateleiras, recuou alguns passos e observou.

    Melhor.

    Definitivamente melhor.

    Um sorriso involuntário apareceu.

    Porque conseguia imaginar exatamente a reação de Bucky.

    Primeiro viria a cara de confusão.

    Depois a reclamação.

    Depois outra reclamação.

    Talvez uma terceira.

    E só então ele admitiria que gostou.

    Era sempre assim.

    Sam já conhecia aquele homem bem demais.

    Os dedos passaram distraidamente pela superfície da mesa nova da sala enquanto caminhava pelo apartamento. Cada móvel tinha sido escolhido pensando nele.

    Algo resistente.

    Prático.

    Confortável.

    Nada exagerado.

    Nada chamativo.

    Coisas que Bucky realmente usaria.

    Coisas que fariam o lugar parecer um lar.

    A palavra fez Sam sorrir.

    Lar.

    Era exatamente isso.

    Porque Bucky finalmente merecia ter um.

    Um lugar onde não precisasse olhar por cima do ombro.

    Um lugar onde pudesse descansar.

    Um lugar que realmente fosse dele.

    Sam entrou na cozinha e começou a organizar algumas coisas nos armários. Fazia isso quase sem pensar.

    Os movimentos eram automáticos.

    Naturais.

    Porque cuidar de Bucky tinha se tornado algo natural há muito tempo.

    Tão natural que às vezes nem percebia.

    Era só o que fazia.

    Como respirar.

    Como levantar pela manhã.

    Como provocar Bucky por qualquer motivo possível.

    Seu sorriso aumentou.

    Porque também conseguia imaginar a discussão que aconteceria quando ele descobrisse tudo aquilo.

    “Você não precisava fazer isso.”

    E Sam responderia.

    “Claramente eu precisava.”

    Porque era verdade.

    Alguém precisava.

    E Sam nunca teve problema em assumir essa responsabilidade.

    Quando terminou de organizar os últimos detalhes, permaneceu parado no centro da sala observando o resultado.

    O apartamento parecia diferente.

    Mais quente.

    Mais vivo.

    Mais parecido com um lugar onde alguém pudesse construir uma vida.

    Exatamente como deveria ser.

    Sam cruzou os braços e soltou um suspiro satisfeito.

    Bucky provavelmente reclamaria.

    Provavelmente ficaria constrangido.

    Provavelmente tentaria fingir que aquilo não significava nada.

    Mas Sam conhecia aquele olhar que aparecia quando algo realmente o tocava.

    Conhecia bem demais.

    E, honestamente?

    Só por imaginar esse momento, todo o trabalho já tinha valido a pena.