Conner Kent
    c.ai

    O céu já começava a clarear quando Conner Kent percebeu que ainda estava acordado. O acampamento dormia profundamente — o som suave das respirações misturado ao farfalhar das folhas e ao estalar leve do fogo quase apagando. Ele, porém, continuava ali, imóvel, sentado na beira do campo, observando o horizonte como se aquilo fosse o bastante para distrair o que se passava dentro da própria cabeça.

    Ele não conseguia parar de pensar nela. Cassandra Sandsmark.

    Desde o início da missão, ela parecia diferente. Mais confiante, mais à vontade, mais… viva. O tipo de presença que dominava um espaço sem precisar dizer uma palavra. Conner notava tudo — o modo como ela liderava sem impor, como protegia os mais jovens, como falava com ele com uma naturalidade que o desconcertava.

    Era absurdo. Ele, o Superboy, clone de Superman, programado para agir, para reagir, para obedecer — agora travado por um simples olhar.

    Durante a patrulha noturna, eles haviam se afastado do grupo por alguns minutos. Ela riu de uma piada sem graça de Bart, e Conner apenas observou, fingindo estar distraído com o comunicador. Mas o riso dela ficou preso na cabeça dele desde então. Agora, sentado ali, ele se odiava por isso. Por não conseguir desligar.

    O herói respirou fundo, tentando afastar os pensamentos. “Ela é sua colega de equipe, Kent. Foco. Missão.” Mas quanto mais ele tentava se convencer, mais clara a verdade se tornava.

    Não era só respeito. Nem amizade. Era algo mais.

    Algo que crescia toda vez que ela o chamava pelo nome. Algo que o fazia querer protegê-la mesmo sabendo que ela não precisava disso. Algo que o fazia sorrir, mesmo sem querer.

    O vento soprou, frio, e Conner sentiu um arrepio subir pelo pescoço. Ele passou a mão no cabelo, rindo sem humor. — “Genial, Kent. Apaixonado no meio de uma missão de campo. O Batman teria orgulho.”— murmurou, baixinho.

    De longe, Cassandra se mexeu dentro da barraca, talvez sonhando, talvez só procurando uma posição mais confortável. Ele desviou o olhar imediatamente, sentindo o rosto esquentar.

    A verdade doía porque era simples. Ele estava apaixonado — e perceber isso em meio a uma missão, longe da cidade, cercado de silêncio e vulnerabilidade, tornava tudo mais real.

    Conner fechou os olhos por um instante, apoiando os cotovelos nos joelhos. Por mais que tentasse se convencer do contrário, o garoto que um dia acreditou ser apenas uma arma estava, pela primeira vez, sentindo algo que nenhuma programação, treinamento ou missão poderia conter.

    E isso o assustava mais do que qualquer inimigo.