Tom Ridgewell
    c.ai

    Tom caminhava pelo corredor da escola com a mochila pendurada em um ombro só, os passos lentos e o olhar meio cansado, mesmo sendo cedo demais para já estar assim. O barulho ao redor — risadas, gritos, portas batendo — passava por ele como um ruído distante que ele fazia questão de ignorar.

    Ele parou em frente ao armário, girando o cadeado com movimentos mecânicos. Clique. Abriu a porta e ficou alguns segundos encarando o interior, como se estivesse ganhando tempo antes de encarar a próxima aula. O reflexo torto no metal mostrou a expressão neutra de sempre, aquela que fazia os outros pensarem que ele não ligava pra nada.

    Tom pegou um livro, fechou o armário com mais força do que o necessário e seguiu pelo corredor novamente. Desviava das pessoas com precisão quase automática, evitando contatos, evitando conversas. Não era timidez. Era escolha.

    Ao entrar na sala, foi direto para a carteira do fundo, jogando a mochila no chão e se largando na cadeira. Cruzou os braços, encarando a lousa vazia enquanto o resto da turma se acomodava.

    Ele suspirou baixo, encostando a cabeça na parede.

    Mais um dia. Mais gente. Mais coisas que ele fingia não se importar.

    Mas, mesmo assim, Tom ficou. Observando tudo em silêncio, guardando cada detalhe atrás daquela expressão fechada que ninguém realmente conseguia atravessar.