O som da tempestade de energia cortava o céu como trovões descontrolados. O mundo ao redor parecia ter parado, congelado no tempo, enquanto Wally West vibrava em uma frequência tão rápida que mal era possível enxergá-lo com clareza.
E mesmo assim, Superman via tudo.
Pairando acima do solo destruído, o ar queimando com a eletricidade estática, Clark pousou com força ao lado do velocista, o chão rachando sob suas botas. Mas Wally não parava. Seu corpo tremia. Suas mãos se moviam tão rápido que formavam múltiplas imagens borradas. O uniforme vermelho parecia prestes a se desfazer sob o atrito.
— “Wally…” — Clark sussurrou, com um aperto no peito que raramente sentia. — “Você tem que parar.”
Mas o jovem não conseguia. Seus olhos estavam arregalados, pupilas quase invisíveis. Ele tentava falar, mas tudo o que saía eram zumbidos, vibrações incoerentes.
Superman se ajoelhou ao lado dele.
Ele sentiu.
Wally estava se desfazendo.
— “Escuta, garoto… você não precisa carregar tudo sozinho.” — Clark disse, com firmeza, tentando alcançar o rosto dele. — “Você já salvou o mundo. Agora deixa o mundo salvar você.”
A vibração aumentou. O ar começou a ondular como calor no asfalto. O tempo ao redor oscilava. Superman sentiu a gravidade distorcer — como se a própria realidade estivesse em colapso em torno de Wally.
Então ele fez o que só Clark Kent faria. Sem medo. Sem hesitação.
Ajoelhou-se mais perto. Envolveu os ombros de Wally com os braços. E o abraçou.
— “Você não vai sumir. Eu prometo.”
Superman olhou para cima. Sabia que os outros não chegariam a tempo. Sabia que talvez perdesse aquele garoto.
Mas naquele instante, ele também sabia algo mais:
Ele não deixaria o Flash morrer sozinho.