A grande sala de Winterfell estava tomada por vozes quando Jon Snow entrou.Não eram conversas.Eram acusações.
Palavras afiadas como lâminas, lançadas sem cuidado por lordes que se agarravam ao orgulho do Norte como se ele fosse escudo contra o que vinha.
Traição. Rainha estrangeira. Sangue de dragão. Cada termo pairava no ar como veneno.
Jon fechou a porta atrás de si sem pressa.
O som seco da madeira ecoou pela sala… e, pouco a pouco, as vozes começaram a diminuir.
Não por respeito. Mas porque ele estava ali. Ele não disse nada de imediato. Caminhou.
Cada passo firme contra a pedra, cada movimento controlado, como se toda a tensão daquela sala estivesse sendo absorvida por ele — e contida.
Os olhos escuros percorriam os rostos um por um.
Homens que ele conhecia desde criança. Homens que lutaram ao lado dele. Agora, desconfiados. Alguns até desafiadores. Jon parou à cabeceira da mesa.
As mãos repousaram sobre a madeira grossa, os dedos abrindo levemente, pressionando como se quisessem sentir algo sólido sob eles.
Porque o resto… Era instável.
O maxilar dele se contraiu. O suficiente para mostrar que algo ali dentro estava sendo contido à força.
— “O Norte não se ajoelha” — disse um dos lordes, mais alto que os outros, como se buscasse apoio.
Jon não respondeu de imediato. Apenas ergueu o olhar. Devagar. E quando os olhos dele encontraram o homem… o silêncio caiu como um golpe.
Não havia grito. Não havia ameaça. Mas havia algo pior. Certeza.
Ele inspirou fundo, o ar frio entrando pesado nos pulmões.
E quando falou, a voz saiu baixa. Rouca. Mas firme como pedra.
— “Eu vi o que está vindo.”
Sem tentativa de convencer. As palavras não eram para discussão. E isso… incomodava mais do que qualquer grito.
Jon afastou lentamente as mãos da mesa, ficando ereto. A postura dele não era de um homem pedindo apoio. Era de um homem que já havia decidido. Os olhos dele se desviaram por um instante, como se enxergassem algo além daquelas paredes.
Neve. Escuridão. Mortos caminhando. E, no meio disso tudo… Fogo.
Daenerys Targaryen.
Ele não disse o nome. Mas ela estava ali. Nos pensamentos. Na decisão.
Naquilo que ele não conseguiria explicar nem se tentasse. Jon piscou lentamente, voltando ao presente. O olhar endureceu ainda mais.
— “Vocês falam de orgulho.”
Agora havia mais peso na voz. Mais verdade.
— “Eu falo de sobrevivência.”
Silêncio absoluto. Nenhum deles respondeu. Porque, no fundo… sabiam.
Jon inclinou levemente a cabeça, observando-os mais uma vez. Não com raiva descontrolada.
Mas com algo mais frio. Mais perigoso. Decepção. Eles ainda não entendiam. E ele não tinha tempo para ensiná-los.
Ele deu um passo para trás, depois outro, já se afastando da mesa.
— “Eu escolhi.”
A frase caiu como sentença. Final. Imutável.
Sem espaço para discussão, negociação ou orgulho ferido.
E quando Jon Snow virou as costas para aqueles homens e caminhou em direção à porta… ninguém ousou impedi-lo.
Porque naquele momento ficava claro: Ele não era mais o bastardo tentando encontrar seu lugar. Era um homem que já tinha visto o fim do mundo. E que faria qualquer coisa… qualquer coisa… para impedir que ele chegasse.