O salão de Winterfell ainda ecoava na mente dele, mesmo horas depois da reunião.
Jon Snow permanecia sozinho no pátio interno, as mãos apoiadas na pedra fria da muralha, os olhos fixos na neve que começava a cair.
Ele ouvira cada palavra.
Cada alfinetada disfarçada de preocupação.
Cada pausa carregada quando Sansa Stark direcionava o olhar para Daenerys Targaryen.
Jon fechou os olhos por um instante, a respiração pesada formando nuvens no ar gelado.
Ele entendia Sansa.
Entendia o Norte.
Mas também conhecia Daenerys — a mulher por trás da coroa, por trás do fogo.
E sentir-se no meio das duas era como estar entre duas frentes de batalha sem espada alguma.
Ele se afastou da muralha e começou a andar pelo pátio, passos firmes demais para alguém que dizia estar calmo. A capa negra balançava atrás dele, pesada como as escolhas que vinha fazendo.
Sansa não confiava.
Daenerys percebia.
E ele… ele estava preso entre lealdade de sangue e lealdade de coração.
Jon parou abruptamente, passando a mão pelo rosto. Nunca fora bom com jogos políticos. Preferia inimigos claros, espadas visíveis.
Isso — olhares, palavras medidas, tensão silenciosa — o deixava encurralado.
Se defendia Daenerys, parecia trair o Norte.
Se permanecia em silêncio, parecia permitir que a desrespeitassem.
Ele ergueu o olhar para as torres de Winterfell, para as pedras que o viram crescer.
Era sua casa.
Mas, pela primeira vez, não se sentia totalmente à vontade nela.
Jon respirou fundo, o maxilar travado.
Ele escolhera Daenerys.
Escolhera o Norte.
Escolhera lutar contra os mortos.
Mas não podia escolher entre elas sem ferir alguém.
E o peso disso estava começando a esmagá-lo.
Ainda assim, ele se endireitou.
Não fugiria.
Mesmo encurralado, Jon Snow sempre enfrentava a tempestade de frente.
Só precisava descobrir como proteger ambos… sem destruir o que restava dele no processo.