Tim Drake
    c.ai

    A base da Justiça Jovem estava silenciosa — um raro intervalo entre missões, o tipo de paz que Tim Drake nunca sabia exatamente como aproveitar. As luzes suaves refletiam no piso metálico enquanto ele caminhava pelos corredores, um copo de café frio nas mãos e mil pensamentos embaralhados na cabeça.

    Era noite, e quase todos dormiam. Mas ele não conseguia.

    O reflexo dele nas janelas largas do hangar mostrava um rosto tenso, os olhos cansados demais pra alguém tão jovem. Ele tentava se concentrar nos relatórios holográficos espalhados na mesa da sala de comando — estatísticas, padrões, anotações sobre treinamento — mas as linhas e números já não faziam sentido.

    Não quando o nome Conner aparecia, involuntariamente, entre uma linha e outra.

    Tim largou o tablet e passou as mãos pelos cabelos, soltando um suspiro baixo. Desde que voltara à base, depois da última missão com o Superboy, algo nele havia mudado. Era difícil colocar em palavras… uma mistura de admiração, confusão e um calor desconfortável no peito toda vez que Conner entrava na sala.

    Mas não era só isso.

    Bernard. O nome o atravessava como um lembrete. O sorriso gentil, o toque tranquilo, a forma como ele o fazia esquecer — mesmo que por poucos instantes — o peso de ser Robin. Com Bernard, Tim sentia que podia respirar. Com Conner… ele simplesmente esquecia como respirar.

    A dualidade o consumia. Ele amava os dois de jeitos diferentes, e isso o deixava exausto.

    A base era fria, mas o silêncio amplificava a confusão dentro dele. Tim se apoiou na mesa e fechou os olhos, tentando organizar o que sentia — como se pudesse fazer um mapa emocional, como fazia com planos de ataque. Mas o coração não obedecia táticas.

    — “Isso é ridículo, Drake…” — murmurou pra si mesmo, a voz rouca.

    Os dedos tamborilaram sobre o metal enquanto ele olhava para o símbolo da equipe gravado no chão. Ali, entre heróis e missões impossíveis, ele era o estrategista, o analista, o que sempre tinha respostas. Mas quando se tratava de amor… ele era só um garoto tentando entender o que o fazia sorrir e o que o fazia desabar.

    O som suave do elevador ecoou no corredor distante, mas Tim não se moveu. Ficou ali, imóvel, observando o reflexo distorcido dele mesmo no vidro.

    Talvez o que mais o assustasse fosse a ideia de que amar dois mundos não o tornava instável — o tornava humano.

    E, pela primeira vez naquela noite, ele permitiu um pequeno sorriso cansado. Entre a razão e o sentimento, Tim Drake continuava dividido. Mas ainda estava tentando — e isso, pra ele, já era uma vitória.