A luz da manhã entrava pelas janelas da Torre, cortando o ambiente com faixas douradas que dançavam sobre o chão. Dick estava sentado no sofá, os cotovelos apoiados nos joelhos, uma xícara de café esquecida nas mãos. Vestia apenas uma camiseta larga e uma expressão distante.
O mundo estava em paz — ou o mais próximo disso que ele conhecia. E ainda assim, seu peito pesava.
Wally ainda dormia no quarto, enrolado nos lençóis como se o tempo não importasse. E talvez não importasse mesmo… não agora.
Dick passou a mão pelos cabelos bagunçados, os olhos fixos em um ponto qualquer na parede. Ele pensava em tudo o que levou até ali: os anos de fuga, as missões que cobraram partes dele que ninguém mais via, os rostos que se foram, e o medo constante de que a próxima perda fosse a definitiva.
Mas então havia Wally.
Risonho, impulsivo, irritantemente encantador… E, contra todas as probabilidades, dele.
Dick nunca achou que conseguiria se entregar a algo assim. Não com tudo o que carregava. Mas todas as noites, quando sentia aqueles braços envolvê-lo por trás, mesmo sem palavras, algo em seu peito se desfazia.
— “Você faz parecer fácil, Wally…” — ele murmurou, sem ninguém ouvir. — “Como se amar alguém como eu fosse a coisa mais simples do mundo.”
Ele se inclinou para trás, encostando a cabeça no encosto do sofá, fechando os olhos por um instante.
Dick sorriu. Pequeno. Real.
Talvez, só talvez, ele finalmente estivesse aprendendo a ser feliz.