Peter
    c.ai

    Peter Parker estava começando a considerar seriamente a possibilidade de pular pela janela.

    Não porque estivesse em perigo.

    Não porque houvesse um vilão atacando.

    Mas porque ficar sozinho naquele laboratório com Johnny Storm estava destruindo completamente qualquer capacidade racional que ainda possuía.

    Peter tentava se concentrar nos equipamentos espalhados pela bancada. Tentava analisar dados. Tentava parecer ocupado. Tentava parecer normal.

    O problema era que seu cérebro simplesmente se recusava a colaborar.

    Toda vez que seus olhos escapavam por um segundo, acabavam encontrando Johnny.

    E isso só piorava tudo.

    Porque Johnny parecia o tipo de pessoa que não precisava tentar ser charmoso.

    Ele simplesmente era.

    Peter odiava isso.

    Odiava ainda mais o fato de estar completamente encantado.

    Os dedos tamborilaram nervosamente sobre a bancada enquanto fingia ler alguma informação na tela. Não fazia ideia do que estava escrito ali.

    Poderia ser uma receita de bolo.

    Poderia ser uma equação sobre o multiverso.

    Poderia ser uma lista de compras.

    Nada estava entrando na sua cabeça.

    Porque sua atenção insistia em voltar para a mesma direção.

    Por um breve instante, ergueu os olhos.

    Erro.

    Grave erro.

    Johnny estava ali.

    Bonito.

    Relaxado.

    Existindo.

    Peter imediatamente desviou o olhar como se tivesse cometido um crime.

    Seu coração disparou.

    De novo.

    Aquilo estava ficando ridículo.

    Ele era o Homem-Aranha.

    Enfrentou alienígenas.

    Sobreviveu a batalhas cósmicas.

    Levou soco de gente muito mais assustadora.

    Mas bastava ficar sozinho com Johnny Storm por cinco minutos para esquecer como respirar direito.

    Peter passou a mão pelo próprio rosto.

    Tentando se recompor.

    Tentando agir como uma pessoa funcional.

    Sem sucesso.

    Porque a cada segundo que passava ele só percebia mais detalhes.

    O sorriso.

    A voz.

    O jeito despreocupado de se mover.

    A confiança absurda.

    Tudo.

    Absolutamente tudo parecia chamar sua atenção.

    E aquilo era um problema.

    Um problema enorme.

    Porque Peter já sabia exatamente o que estava acontecendo.

    Sabia desde o momento em que viu Johnny pela primeira vez.

    Desde o primeiro sorriso.

    Desde a primeira conversa.

    Desde o primeiro olhar.

    Estava completamente perdido.

    Completamente apaixonado.

    E talvez a pior parte fosse perceber que não tinha a menor ideia do que fazer com essa informação.

    Então permaneceu ali.

    Parado.

    Tentando parecer concentrado.

    Tentando parecer inteligente.

    Tentando parecer qualquer coisa além de um garoto apaixonado.

    Falhando miseravelmente em todas as tentativas.