Mark Sloan
    c.ai

    Mark Sloan estava parado próximo ao hangar com os braços cruzados e a mandíbula travada, observando a movimentação da equipe se preparar para embarcar. Médicos conversavam, carregavam bolsas, revisavam documentos e agiam como se aquele fosse apenas mais um dia de trabalho.

    Mas para ele não era.

    Não conseguia fazer seu coração acreditar que era.

    A noite anterior ainda estava viva demais em sua memória.

    O sonho.

    Aquele maldito sonho.

    Mark já teve pesadelos antes. Todo mundo tinha. Normalmente ele acordava, tomava um café e seguia a vida.

    Mas aquele não.

    Aquele parecia diferente.

    Real.

    Vívido.

    Cruel.

    Ele ainda conseguia ver os destroços espalhados pela floresta. Ainda conseguia ouvir os gritos. Ainda conseguia sentir o desespero.

    E, acima de tudo, ainda conseguia ver Lexie.

    Lexie presa entre ferragens.

    Lexie morrendo.

    Lexie olhando para ele enquanto ele não conseguia fazer nada.

    Absolutamente nada.

    Mark passou uma das mãos pelo rosto pela centésima vez naquela manhã.

    Tentando afastar a imagem.

    Sem sucesso.

    Porque quanto mais tentava ignorá-la, mais ela voltava.

    Seu olhar percorreu a área novamente.

    Ainda não tinha visto Lexie.

    E isso só o deixava mais nervoso.

    Os dedos tamborilaram contra o braço.

    Ele não gostava daquela sensação.

    Não gostava de sentir medo.

    Não gostava de sentir que algo estava errado.

    Mas algo estava.

    Ele sabia.

    Sentia.

    Talvez fosse irracional.

    Talvez fosse apenas culpa.

    Talvez fosse porque tinham acabado de admitir que sentiam falta um do outro e ainda não haviam resolvido nada.

    Talvez fosse porque, pela primeira vez em muito tempo, ele tinha esperança de verdade.

    Esperança de que ainda existisse uma chance.

    Uma chance para eles.

    E a ideia de perder isso o aterrorizava.

    Quando finalmente avistou Lexie se aproximando ao longe, seu coração afundou.

    Porque aquilo significava que ainda havia tempo.

    Tempo para impedir.

    Tempo para convencê-la.

    Tempo para fazer qualquer coisa.

    Mark começou a caminhar imediatamente em sua direção.

    Passos rápidos.

    Decididos.

    Ignorando completamente os olhares curiosos ao redor.

    Ele não ligava.

    Não naquele momento.

    Tudo o que importava era ela.

    Tudo.

    Ao alcançá-la, diminuiu apenas um pouco a velocidade, passando a mão pelos cabelos numa tentativa inútil de parecer menos desesperado do que realmente estava.

    Mas estava desesperado.

    Muito.

    Porque não conseguia tirar aquela sensação do peito.

    Aquela certeza irracional.

    Aquela voz insistente dizendo que algo estava errado.

    Muito errado.

    Os olhos permaneceram fixos nela por alguns segundos.

    Como se precisasse confirmar que estava ali.

    Inteira.

    Viva.

    Segura.

    Então respirou fundo.

    Porque não se importava se parecesse louco.

    Não se importava se ela revirasse os olhos.

    Não se importava se todos os outros achassem ridículo.

    Naquele momento, Mark Sloan estava perfeitamente disposto a discutir com pilotos, cirurgiões, administradores do hospital e qualquer pessoa necessária.

    Porque, pela primeira vez em anos, sentia medo de verdade.

    E esse medo tinha o rosto de Lexie Grey entrando naquele avião.

    Algo que ele estava determinado a impedir.