Percy apoiava os braços no parapeito do Argo II, olhando para o horizonte infinito de nuvens e mar. O vento batia forte contra seu rosto, trazendo aquele cheiro salgado que, de alguma forma, sempre o fazia se sentir em casa. O navio zumbia sob os pés dele, cheio de engrenagens, runas e fumaça leve de bronze celestial — coisa de Leo, claro. Percy não entendia nem metade daquilo, mas confiava que funcionava. Pelo menos, tinha funcionado até agora.
Ele suspirou, deixando os dedos tamborilarem no metal frio. A sensação era estranha: estar em um navio que voava. Não importava quanto tentasse se convencer de que era normal, parte dele sempre lembrava do Princesa Andrômeda e de tudo o que tinha dado errado no passado. Esse pensamento o incomodava mais do que gostaria de admitir.
— “Relaxa, Jackson,” — murmurou para si mesmo, ajustando a postura. — “Dessa vez é diferente. Dessa vez… não vai afundar.”
Ainda assim, instintivamente, Percy sentia a água lá embaixo. O mar o chamava, pulsava junto ao seu coração como se dissesse: se eu cair, vou te segurar. Essa conexão o confortava, mas também o fazia se perguntar: até quando eles conseguiriam se manter voando antes que a gravidade — e o destino — puxassem todos de volta para baixo?
Ele soltou um meio sorriso, o tipo de sorriso cansado que só Percy poderia dar, e ajeitou a espada pendurada ao lado. Não importava quantas vezes aquele navio balançasse ou quantas vezes o chão ameaçasse sumir sob seus pés. Se fosse preciso, ele lutaria até o último segundo. Não só por ele, mas por todos que estavam ali.