O silêncio pesado da masmorra era quebrado apenas pelo som suave do tecido negro se arrastando pelo chão de pedra enquanto Severus Snape caminhava entre as mesas.
Os caldeirões borbulhavam baixo, liberando vapores esverdeados que se misturavam ao ar frio da sala. O cheiro de poções mal feitas era suficiente para fazer qualquer aluno se encolher.
Snape parou atrás de um deles.
Não disse nada.
Apenas observou.
Os olhos escuros desceram lentamente para o conteúdo do caldeirão, analisando cada detalhe com precisão quase cruel.
Então, com um movimento seco, ele inclinou levemente a cabeça.
— “Interessante…” — murmurou, a voz baixa e cortante.
A palavra não era elogio.
Nunca era.
Ele estendeu a mão e, sem pedir permissão, mexeu o conteúdo com a própria colher do aluno, corrigindo o movimento com exatidão irritante.
— “Se sua intenção era criar algo inutilizável, parabéns. Está no caminho certo.”
Snape se afastou antes mesmo de qualquer resposta, as vestes negras girando levemente ao redor dele enquanto seguia pelo corredor entre as mesas.
O olhar varria cada aluno como se pudesse enxergar seus erros antes mesmo de acontecerem.
E, de certa forma… ele podia.
Ele parou novamente, desta vez diante de outra mesa, cruzando as mãos atrás das costas.
A expressão era neutra.
Fria.
Mas havia algo ali, escondido sob camadas de desprezo e controle absoluto.
Expectativa.
Porque, apesar de tudo…
Severus Snape exigia perfeição.
E raramente aceitava menos que isso.