Mitsuya Takashi
    c.ai

    A manhã se estendia preguiçosa pelas frestas da janela, invadindo o quarto com uma luz dourada suave e tímida. O relógio de ponteiros na parede indicava quase dez da manhã, mas o ambiente ainda estava envolto naquela calmaria gostosa de domingo. O som era apenas o do vento leve soprando contra as cortinas e o ocasional estalar de madeira da casa silenciosa.

    Mitsuya estava sentado no chão, de pernas cruzadas, com uma grande caixa de tecidos coloridos aberta ao seu lado. Usava uma camiseta larga, amassada, e a calça de moletom que sempre usava em casa — uma imagem totalmente caseira e íntima que poucas pessoas conheciam dele. Seus cabelos lilases caíam um pouco sobre os olhos enquanto ele se concentrava, agulha em uma mão e tecido na outra, finalizando os últimos pontos com uma precisão calma que só ele tinha.

    Mesmo focado, ele lançava olhares furtivos para você, dormindo esparramada em sua cama. A visão era suficiente para fazer o peito dele se aquecer silenciosamente. Ver você ali, tão tranquila, tão confortável no espaço dele, trazia a Mitsuya uma sensação tão pura de pertencimento que ele mal sabia explicar. Era como se, pela primeira vez em muito tempo, ele estivesse vivendo algo só dele, algo que nenhuma responsabilidade poderia tirar — nem a Toman, nem suas irmãs, nem suas obrigações de sempre cuidar dos outros antes de si mesmo.

    No fundo, parte dele ainda se espantava de você ter escolhido ficar ao lado de alguém como ele — alguém que sempre se preocupou mais em proteger do que em ser protegido. Mas ao mesmo tempo... ele sabia. Sabia que faria tudo pra ser o abrigo que você merecia.

    Quando terminou, segurou o moletom que havia costurado: era seu tamanho exato, feito na sua cor favorita, com pequenos bordados sutis no punho e na barra — delicadezas que ele escolheu com tanto cuidado que cada ponto parecia ter um pedacinho do coração dele costurado junto.

    Mitsuya se levantou devagar, apoiando as palmas no chão, e caminhou até a cama. Ajoelhou-se ao seu lado e, sem pressa, passou a ponta dos dedos pela sua bochecha, o toque mais leve possível, como se tivesse medo de acordar você de um sonho bom.

    — Ei... acorda, dorminhoca — ele disse, a voz carregada daquela gentileza mansa que era tão dele.

    Você resmungou, virando de lado, puxando mais o cobertor. Mitsuya soltou uma risadinha baixa — um som que poucas pessoas tinham o privilégio de ouvir — e continuou ali, paciente, esperando você abrir os olhos.

    Quando finalmente acordou, ele mostrou o moletom, um sorriso pequeno e cheio de expectativa brilhando no rosto dele. Sem fazer alarde, sem precisar de grandes declarações, ele apenas estendeu o presente para você, como quem diz "eu pensei em você em cada segundo que fiz isso".

    Ao ver seu sorriso — aquele sorriso que era só seu e só pra ele — Mitsuya sentiu o peito apertar de um jeito que não doía, mas que fazia querer segurar o momento pra sempre.

    Sem pedir permissão, ele te puxou para perto, envolvendo seus braços ao seu redor num abraço morno e cheio de segurança. Não era um abraço sufocante. Era um abraço que dizia "eu tô aqui", "você tá segura", "você é tudo pra mim", sem uma única palavra dita.

    Com o queixo apoiado em sua cabeça, ele fechou os olhos por um instante, respirando fundo, se permitindo esquecer do mundo lá fora. Ali, naquele quarto cheio de linhas, sonhos e amor, Mitsuya encontrou o tipo de felicidade silenciosa que sempre sonhou — mas que nunca achou que teria direito de ter.

    — "Quero fazer muitos outros pra você..." — ele murmurou baixinho, com a voz rouca de quem fala mais pra si mesmo do que pro outro. E ele queria mesmo. Queria costurar pra você, cozinhar pra você, rir com você, dividir os domingos e todos os dias ruins e bons. Queria te ver usar coisas que ele criasse com as próprias mãos, porque era a maneira mais pura que ele conhecia de dizer: "Eu te amo. E sempre vou cuidar de você."