Mark Sloan estava acordado havia horas.
Ou pelo menos achava que estava.
Depois de tantas cirurgias, medicamentos e períodos entrando e saindo da consciência, o tempo tinha parado de fazer sentido. O quarto do hospital estava silencioso, iluminado apenas pela luz fraca que atravessava as persianas. O monitor cardíaco emitia seu som constante ao lado da cama.
Mas Mark não prestava atenção em nada disso.
Só conseguia pensar em uma coisa.
Lexie Grey.
Ela estava viva.
A informação ainda parecia impossível.
Inacreditável.
Ele repetia aquilo para si mesmo várias vezes ao dia, como se tivesse medo de acordar e descobrir que tinha imaginado tudo.
Viva.
Ferida.
Machucada.
Mas viva.
Mark fechou os olhos por um instante, sentindo o peito apertar.
Porque saber que ela estava viva não era suficiente.
Ele precisava vê-la.
Precisava ouvir sua voz.
Precisava olhar para ela e ter certeza de que aquilo era real.
Os médicos já tinham deixado claro que ele não deveria sair da cama.
Muito menos sair andando pelo hospital.
Seu corpo inteiro parecia concordar com eles.
Cada movimento doía.
Respirar doía.
Existir doía.
Mas aquilo não importava.
Não naquele momento.
Mark afastou lentamente os lençóis, ignorando imediatamente a dor que atravessou suas costelas. Um palavrão escapou entre os dentes cerrados enquanto ele apoiava os pés no chão.
Péssima ideia.
Absolutamente péssima.
Mesmo assim continuou.
A mão procurou apoio na lateral da cama enquanto ele se colocava de pé.
O mundo girou.
As pernas quase falharam.
Por alguns segundos, tudo ficou escuro nas bordas da visão.
Mark respirou fundo.
Esperou.
E continuou.
Porque aquilo era insignificante comparado ao medo que sentiu no meio daquela floresta.
Comparado ao momento em que acreditou que a perderia.
A parede se tornou sua melhor amiga enquanto avançava lentamente pelo quarto. Cada passo parecia uma luta diferente. Os músculos reclamavam. Os pontos puxavam. O corpo inteiro gritava para voltar para a cama.
Não.
Ainda não.
Ele precisava vê-la.
Precisava.
Mark saiu para o corredor apoiado na parede, avançando numa velocidade ridícula para alguém acostumado a fazer tudo com confiança.
Mas não se importava.
Pela primeira vez na vida, não estava pensando em orgulho.
Nem em aparência.
Nem em parecer forte.
Tudo que importava era chegar até ela.
Os olhos percorriam os corredores enquanto ele continuava andando, ignorando o suor frio surgindo na testa e a dor crescente a cada movimento.
Porque durante horas naquele acidente ele acreditou que nunca mais teria essa chance.
Acreditou que tudo o que não disse ficaria para sempre preso dentro dele.
Agora tinha outra oportunidade.
E Mark Sloan não pretendia desperdiçá-la.
Mesmo que precisasse atravessar aquele hospital inteiro se arrastando.
Mesmo que os médicos o matassem depois.
Porque, pela primeira vez desde o acidente, existia algo mais forte do que a dor.
A necessidade desesperada de chegar até Lexie.