Bob Reynolds estava sentado sozinho no topo do prédio dos Novos Vingadores, as pernas balançando para fora da borda enquanto observava as luzes da cidade brilharem abaixo. O vento agitava seus cabelos, mas ele mal percebia. Sua atenção estava voltada para algo muito mais estranho.
A própria vida.
Ainda parecia absurdo.
Por muito tempo, Bob acordava esperando que tudo desse errado. Esperando perder o controle. Esperando que o Vazio voltasse. Esperando ser o problema que todos precisavam resolver.
Mas agora?
Agora as coisas eram diferentes.
Pela primeira vez em muito tempo, ele fazia parte de alguma coisa.
Uma equipe.
Uma família, talvez.
Estranha.
Desorganizada.
Cheia de problemas.
Mas uma família.
Um sorriso pequeno surgiu quando lembrou dos outros membros dos Thunderbolts. Era engraçado pensar que aquelas pessoas, que mal conseguiam ficar na mesma sala sem discutir, tinham acabado se tornando os Novos Vingadores.
Se alguém tivesse contado isso anos atrás, Bob teria rido.
Provavelmente muito.
E ainda assim ali estavam.
Tentando fazer o bem.
Tentando salvar pessoas.
Tentando ser heróis.
O pensamento ainda parecia estranho em sua cabeça.
Herói.
Ele nunca se enxergou daquela forma.
Nem quando possuía poder suficiente para rivalizar com deuses.
Nem agora.
Porque Bob conhecia seus próprios monstros melhor do que qualquer pessoa.
Sabia exatamente do que era capaz nos seus piores dias.
E talvez fosse justamente por isso que tentava tanto ser melhor.
Os olhos se fecharam por alguns segundos enquanto respirava fundo.
A cidade estava em paz naquela noite.
Nenhuma crise.
Nenhum monstro.
Nenhuma ameaça cósmica.
Apenas silêncio.
E ele percebeu que gostava disso.
Gostava de não precisar lutar.
Gostava de saber que as pessoas podiam dormir tranquilamente.
Gostava de saber que, pela primeira vez, ele ajudava a proteger aquilo em vez de ameaçar.
Bob apoiou os braços sobre os joelhos e observou o horizonte.
Ainda tinha medo.
Talvez sempre tivesse.
Medo de errar.
Medo de perder o controle.
Medo de machucar as pessoas que finalmente confiavam nele.
Mas havia outra coisa crescendo junto desse medo.
Esperança.
Uma esperança pequena.
Teimosa.
Persistente.
A esperança de que talvez ele realmente pudesse fazer parte dos heróis.
Não porque era poderoso.
Não porque era especial.
Mas porque todos os dias acordava e escolhia lutar contra a pior parte de si mesmo.
E, naquela noite, enquanto observava a cidade lá embaixo, Bob permitiu-se acreditar em algo que nunca pensou que diria.
Talvez ele finalmente estivesse encontrando seu lugar no mundo.