O céu sobre o Acampamento Meio-Sangue era diferente.
Menos pesado. Mais azul. Como se até as nuvens soubessem que ali as guerras ficavam em segundo plano.
Jason caminhava pela trilha entre o refeitório e os chalés. Sozinho, mas sem urgência. Usava uma camiseta cinza simples, óculos de leitura pendurados na gola e um caderno de anotações mal fechado sob o braço. Nada de armadura. Nada de espada. Só ele.
E isso… ainda era estranho.
No Acampamento Júpiter, ele sempre marchava. Sempre liderava. Sempre carregava alguma coisa: um título, um plano, uma responsabilidade.
Ali, ninguém cobrava. Os campistas o cumprimentavam com acenos rápidos, sorrisos genuínos. Alguém o chamou pra jogar Capture a Bandeira mais tarde.
Ele sorriu. Disse “talvez”. E pela primeira vez… quis dizer “sim”.
Passou perto do lago, onde alguns sátiros tocavam violão desafinado. Parou por um segundo, só pra ouvir. O sol refletia na superfície da água como ouro derretido, e pela primeira vez em muito tempo, ele não sentiu necessidade de pensar em estratégias.
Só ficou olhando.
— “E se eu só… ficar aqui?” — pensou, meio em voz alta.
Ninguém respondeu. Mas a brisa bateu leve contra o rosto, como se dissesse: “tenta.”
Jason continuou andando.
Parou na porta do chalé de Zeus. Não o da glória, dos relâmpagos e estátuas. O outro — o chalé simples, mais discreto, feito para ele se sentir parte do grupo.
Entrou. Jogou o caderno na cama. Tirou os óculos. Deitou, braços atrás da cabeça.
Olhou o teto.
E não pensou em profecias. Nem em batalhas. Nem em ninguém esperando que ele salve o mundo.
Só pensou em como era bom ouvir grilos do lado de fora.
A guerra podia esperar.
Hoje, Jason Grace ia almoçar com os amigos, rir de piadas ruins, talvez perder numa brincadeira de luta com bastões de espuma — e tudo bem.
Porque ele ainda era herói. Mas agora… estava tentando ser algo maior: alguém inteiro.
E nesse dia comum, com céu limpo e tempo livre, Jason não estava lutando.
Estava vivendo.