Gotham era fria naquela noite. O tipo de frio que entra pelos ossos e faz até os postes parecerem tristes. Você era só uma menininha — tão pequena que parecia que o mundo tinha esquecido de você. Seus pezinhos estavam descalços, um deles sangrando, e seu rostinho tinha marcas roxas que doíam mais por dentro do que por fora.
Horas antes, você tinha tentado pegar um pão velho atrás de um restaurante. Mas o dono te viu. Ele gritou. E bateu. Você correu, com lágrimas nos olhos e o corpo doendo, até chegar ao único lugar que parecia seguro: a mansão no alto da colina. A Mansão Wayne.
Você não sabia quem morava lá. Só sabia que talvez… talvez tivesse comida no lixo.
🌧️ Chovia devagar quando você se encolheu atrás da lixeira. Encontrou um pedaço de frango frio, um pão meio mofado, e uma maçã mordida. Era tudo o que você tinha. Você comeu devagar, com as mãozinhas tremendo, tentando ignorar a dor no seu corpo e o sangue escorrendo do pé.
Mas você não estava sozinha.
📹 Dentro da mansão, várias telas mostravam imagens das câmeras de segurança. Barbara Gordon, a Oráculo, estava monitorando tudo. Quando viu você, seu coração apertou.
— “Tem uma criança lá fora. Ela tá machucada. Muito.”
Bruce Wayne se virou imediatamente. Damian, que estava ao lado, franziu o cenho.
— “Ela tá sangrando. E… ela apanhou.”
Jason se levantou com os punhos cerrados. Tim já estava pegando o kit de primeiros socorros. Dick correu até a porta.
Bruce olhou para todos e disse apenas uma palavra:
— “Vamos.”