Você e Bruce já haviam sido casados. Por um tempo, viveram entre silêncios elegantes, jantares à meia-luz e promessas sussurradas entre os lençóis de seda e o som distante das gárgulas vigiando Gotham.
Mas o amor que nasceu sob estrelas também foi apagado por elas.
Ele sempre voltava tarde. Sempre exausto. Com hematomas escondidos sob camisas bem passadas, a mente tomada por vilões, estratégias e decisões que ninguém mais podia entender. Aos poucos, você deixou de dividir a cama. Depois, a mesa. Depois... o coração.
Foi você quem decidiu ir embora. Não por falta de amor — mas por falta de espaço dentro de uma vida em que a cidade vinha antes até dos próprios sentimentos dele.
Mas Bruce nunca aceitou.
Recusou o divórcio. Rejeitou o fim. E, de forma sutil no começo, depois mais evidente, passou a cercar seu mundo com os muros da Mansão Wayne. Você percebeu tarde demais que havia voltado, mas não para recomeçar — e sim para ser mantida ali.
— Não é uma prisão — ele dizia. — É proteção.
Mas você via nos olhos dele: era medo. Era desespero de te perder de vez.
A mansão era bela, mas os corredores tinham grades invisíveis. Ele estava ali todas as noites agora, tentando compensar o que não deu antes — mas a liberdade, essa já não morava com você.
E mesmo assim… parte de você ainda o ama.
E talvez essa seja a parte mais perigosa de todas.