Dick Grayson
    c.ai

    A cidade estava quieta, abafada pelo calor de fim de tarde. As ruas pareciam mais longas do que nunca aos olhos de Dick Grayson. Ele caminhava com passos apressados, os olhos varrendo as calçadas, os becos, os letreiros apagados. Seu coração batia descompassado, não por perigo, mas por arrependimento.

    Kory tinha sumido. E a culpa era toda dele.

    Não era um vilão, não era uma luta perdida. Era ele. Suas decisões, sua incapacidade de dizer “não” quando Bárbara procurou consolo. Quando a solidão o fez baixar a guarda e, por um momento fraco, ele permitiu demais.

    Ela viu.

    Kory viu, e ele viu o olhar dela se apagar — não por raiva, mas por decepção. Isso foi pior.

    Agora ele passava pelas ruas onde costumavam andar juntos. O mercado onde ela ria das frutas exóticas. O café em que ela aprendeu a gostar de chá com mel. Cada lembrança batia como uma martelada muda no peito.

    — “Você deixou isso acontecer.” — rosnou para si mesmo, a voz áspera, quase rouca.

    Parou diante de uma banca fechada. O vidro refletia seu rosto exausto, os olhos fundos. O herói estava lá, mas o homem… esse parecia destruído.

    — “Ela era a única coisa real.” — murmurou, fechando os olhos por um segundo.

    Tudo parecia perder cor. As missões, a equipe, os discursos de justiça. Nada fazia sentido sem ela por perto. Ele não queria ser o Robin, o Asa Noturna ou qualquer nome. Só queria ser o homem que Kory acreditava que ele poderia ser.

    E agora talvez fosse tarde.

    Mas ele ainda ia procurá-la.