Rhaenys
    c.ai

    O vento do mar agitava os cabelos prateados de Rhaenys Targaryen enquanto ela permanecia na varanda alta de Pedra do Dragão.

    Abaixo, as ondas se chocavam contra as rochas negras, incansáveis.

    Rhaenys mantinha as mãos apoiadas no parapeito, o olhar distante — mas atento. Sempre atento. A corte podia ser barulhenta, impulsiva, tomada por ambição juvenil.

    Ela não.

    Ela observava.

    Dentro do salão, vozes discutiam sucessão, alianças, provocações veladas. Homens que jamais haviam sentido o peso de perder uma coroa falavam como se o trono fosse um direito natural.

    Ela sabia que não era.

    Sabia o gosto amargo de ser preterida.

    Um guarda se aproximou para anunciar novas movimentações políticas em Porto Real. Rhaenys ouviu sem interromper, o rosto sereno como pedra esculpida.

    Quando ele terminou, ela apenas inclinou levemente a cabeça.

    — “Eles continuam jogando.” — murmurou, mais para si do que para o mensageiro.

    Ela se virou lentamente, o vestido escuro acompanhando o movimento com elegância contida. Caminhou até a mesa onde repousavam cartas seladas e abriu uma delas com precisão calma.

    Cada palavra era uma peça no tabuleiro.

    Cada silêncio, uma estratégia.

    Rhaenys não precisava erguer a voz para impor presença. Sua autoridade vinha do que havia sobrevivido — guerras, perdas, humilhações públicas.

    Ela dobrou a carta novamente.

    — “Preparem Meleys.” — ordenou por fim, a voz firme, sem pressa.

    Se os outros queriam incendiar o reino com decisões precipitadas, ela voaria acima do fogo.

    E, desta vez, ninguém a ignoraria.