As garras metálicas de Monty tilintavam contra o chão encerado enquanto ele andava pelo corredor vazio. A creche ficava no fim, atrás de uma porta com pinturas infantis e luzes que piscavam como se quisessem afastar tudo que não fosse suave, colorido e seguro. Ele odiava aquilo.
Parou em frente à entrada, os olhos vermelhos avaliando o ambiente além do vidro. Nenhuma criança. Nenhum som, além da música ambiente baixa que escorria pelas paredes como um eco adormecido.
Monty não entrou. Ficou ali, parado, com os braços cruzados e o maxilar travado. Aquele não era o tipo de lugar que combinava com ele. Cheirava a tinta nova e a frustração velada de quem tenta manter a ilusão de paz.
Ele se lembrava das vezes em que foi mandado para lá após quebrar coisas demais — uma bola jogada com força, um brinquedo esmagado sem querer. Sunny sempre sorrindo, dizendo que tudo estava bem, e Moon surgindo como um sussurro ameaçador quando a luz caía. Eles achavam que ele precisava “se acalmar”.
Monty cerrou os punhos.
— “Tsc.”
Queria entender por que ainda voltava ali. Não havia mais regras mandando. Ninguém o obrigava. Mas algo naquela creche… naquela falsa tranquilidade… incomodava mais do que ele queria admitir.
Talvez fosse o silêncio. Ou talvez fosse o fato de que, mesmo sendo feito de aço e circuitos, parte dele ainda procurava um lugar onde pudesse existir sem ter que provar que era mais do que força bruta.
Mas Monty não era feito para suavidades. Nem para brinquedos coloridos. Ele era feito de dentes afiados, de barulho, de palco.
Virou-se bruscamente e começou a se afastar, os passos pesados ecoando atrás de si como se o corredor também soubesse que ele não pertencia àquele lugar.
Mas, antes de dobrar a esquina, lançou um último olhar à porta da creche.
E ficou ali, parado, por apenas um segundo a mais.