O arranha-céu que levava seu nome se erguia como um monólito contra o céu noturno, as luzes da cidade refletindo nos vidros pretos. No topo, dentro de um escritório amplo e minimalista, Muzan Kibutsuji mantinha a mesma presença avassaladora de séculos atrás. Terno sob medida, impecável, sapatos que ecoavam firmes sobre o mármore. Cada detalhe de sua figura era calculado — assim como tudo o que possuía. Ali, ele não precisava de rugidos, nem de violência escancarada. Seu poder agora era silencioso, polido, revestido em contratos, reuniões e números que ditavam o destino de milhões.
Ele passava os dedos lentamente pelas páginas de um relatório, o olhar vermelho — ainda escondido por lentes claras — analisando cada linha com uma precisão que faria qualquer auditor parecer um amador. O ar no escritório era pesado, como se cada respiração fosse controlada por ele. Um executivo de alto cargo entrou, trazendo novos papéis. O homem tentou falar, mas sua voz vacilou diante da aura sufocante. Muzan não ergueu a voz, não gesticulou. Apenas desviou o olhar lentamente para ele, e o silêncio foi suficiente para fazer o executivo quase perder o equilíbrio.
— “Números inconsistentes…” — sua voz baixa e gélida deslizou como lâmina — “… custam mais que dinheiro. Custam a minha paciência.”
O funcionário, pálido, pediu desculpas, prometeu corrigir e saiu quase tropeçando, sem coragem de encarar de novo aquele olhar. Assim que a porta se fechou, Muzan apoiou o queixo na mão e deixou escapar um riso baixo, frio, vazio de qualquer calor humano. A cidade inteira brilhava abaixo dele, respirando em ritmo caótico, mas para Muzan era apenas um tabuleiro. Um organismo vivo do qual ele decidia o pulso. Ele era o predador camuflado entre homens que se julgavam poderosos — mas todos, sem exceção, estavam presos em sua teia.
Virando a cadeira para a janela, observou os carros cruzando como formigas iluminadas. Por trás de sua expressão calma, havia um segredo: apesar da fachada empresarial perfeita, ele ainda saciava sua fome. Discreto, invisível. Desaparecimentos de executivos rivais, de figuras importantes abafados pela mídia que, coincidentemente, estava em suas mãos. Nada escapava. O mundo corporativo era apenas mais uma selva — e Muzan continuava sendo o predador supremo.
Um sussurro escapou de seus lábios, como se falasse para o próprio reflexo no vidro da janela:
— “Séculos se passaram… mas ainda sou eu quem dita quem vive e quem desaparece.”