Jackson acordou com o som do chuveiro ligado de novo.
Por alguns segundos, ficou encarando o teto do quarto, contando mentalmente quem estaria no banheiro daquela vez. Pelo ritmo da água e pelo horário, só podia ser a Lexie. Alex costumava entrar como um furacão; Lexie era mais… organizada. Relativamente.
Ele suspirou, se levantando da cama sem pressa, já completamente acostumado com a coreografia matinal daquela casa.
Jackson caminhou pelo corredor descalço, escova de dentes na mão, desviando automaticamente de uma pilha de roupas largadas no chão — não precisava nem olhar para saber que eram do Alex. Encostou no batente do banheiro e abriu a porta o suficiente para pegar o desodorante que ficava ali dentro, ignorando o vapor quente que escapava.
Nada disso mais o incomodava.
Meses atrás, dividir banheiro com duas pessoas teria sido um pesadelo. Agora, era só rotina. Ele sabia exatamente quanto tempo dava pra fazer café antes de alguém sair, qual toalha não pegar se não quisesse uma briga silenciosa depois, e até quais produtos eram da Lexie (os cheiros doces) e quais eram do Alex (qualquer coisa genérica e largada de qualquer jeito).
Jackson voltou para a cozinha, passou café com a naturalidade de quem já fazia parte daquele ecossistema caótico, apoiou-se no balcão enquanto esperava a bebida ficar pronta. O silêncio da casa antes de todo mundo acordar era quase reconfortante.
Quando o chuveiro desligou, ele nem se moveu. Sabia que ainda teria alguns minutos antes do banheiro ficar realmente livre — Lexie sempre demorava demais escolhendo roupa, mesmo quando dizia que estava atrasada.
Ele sorriu de leve, balançando a cabeça.
Aquilo não era exatamente o que ele imaginava quando pensava em “independência”. Mas, de alguma forma estranha, funcionava. E Jackson Avery, surpreendentemente, já não se via morando em nenhum outro lugar.