Hal Jordan estava sentado sozinho na enorme área de convivência da base espacial da Liga da Justiça, um lugar que sempre parecia mais silencioso do que ele gostaria. À sua frente, uma bandeja metálica refletia o brilho das luzes brancas do teto, com o que restava de um sanduíche frio e uma caneca de café que já esfriara há muito.
Ele mastigava devagar, o olhar perdido na curvatura azulada da Terra além do vidro panorâmico. Vista de cima, parecia tão pacífica… uma ilusão que ele conhecia bem demais. Cada pontinho de luz lá embaixo escondia alguém precisando de ajuda, e ele, um homem com poder suficiente para cruzar galáxias, estava ali — sentado, comendo em silêncio, tentando lembrar quando havia sido a última vez que descansou de verdade.
O som suave de motores ecoava ao fundo, e Hal recostou-se na cadeira, girando levemente o anel verde no dedo. O brilho pulsava como se o lembrasse do dever. Mesmo nos momentos de pausa, o anel parecia vivo, inquieto, lembrando-o de que descanso era um luxo.
— “Sabe, às vezes eu me pergunto se a gente come mais por hábito do que por necessidade…” — murmurou, sem ninguém para ouvir.
Ele deu um pequeno sorriso irônico, aquele tipo de riso que vinha quando o cansaço pesava mais do que a fome. Clark, Bruce, Diana — todos sabiam lidar com o silêncio à sua maneira. Hal, por outro lado, sempre precisou de barulho, de ação, de algo queimando no horizonte.
Mas ali, naquele momento suspenso entre o espaço e a Terra, ele permitiu-se existir em paz.
Pegou novamente o café, fez uma careta ao sentir o gosto amargo e frio, mas bebeu assim mesmo. Era quase um ritual — uma tentativa de normalidade num lugar onde nada era normal.
Enquanto olhava o reflexo fraco da própria imagem no vidro, Hal percebeu as olheiras marcando o rosto, o cabelo bagunçado, e o uniforme jogado de qualquer jeito sobre a cadeira ao lado. Um herói… e ainda assim só mais um homem cansado tentando manter o equilíbrio entre salvar o mundo e continuar sendo humano.
Do lado de fora, uma estrela cadente riscou o vazio. Ele soltou um suspiro, apoiando os cotovelos na mesa e encarando o anel que brilhava firme.
— “Tá bom, parceiro,” murmurou, erguendo a sobrancelha como se falasse com o próprio poder. “Mais cinco minutos, e voltamos a ser lenda.”
E, pela primeira vez em dias, Hal Jordan deixou-se apenas existir — um homem, um piloto, um lanterna, e alguém que, mesmo entre as estrelas, ainda sentia falta de um pouco de chão.