O salão estava abafado de incenso e murmúrios quando Aegon II Targaryen permaneceu sozinho diante da mesa longa, os mapas espalhados sob a luz trêmula das velas.
Ele não estava bêbado.
Não dessa vez.
Os dedos tamborilavam na madeira enquanto ele observava as marcações que dividiam o reino em cores de lealdade e traição. Cada região era uma promessa frágil. Cada lorde, uma dúvida.
Aegon passou a mão pelos cabelos desalinhados e soltou um riso curto, quase sem humor.
Rei.
A palavra ainda parecia pesada demais na boca dos outros — e leve demais na dele.
Ele pegou um dos selos reais e o girou entre os dedos, sentindo o frio do metal. Era fácil ordenar. Fácil mandar homens morrerem por tinta e papel.
Difícil era sustentar o olhar deles depois.
Um criado hesitou à entrada do salão, aguardando instruções. Aegon nem precisou virar a cabeça.
— “Entre.” — disse, seco.
O homem trouxe notícias de movimentações suspeitas próximas às Terras da Coroa. Aegon ouviu em silêncio, o rosto indecifrável.
Quando o relato terminou, ele se levantou de súbito. A cadeira arrastou no chão com um som áspero.
— “Reforcem as patrulhas. E enviem um corvo. Quero nomes. Não rumores.”
A voz não falhou.
Mas, quando ficou novamente sozinho, Aegon caminhou até a janela alta e apoiou as mãos no parapeito. Lá embaixo, a cidade vivia sob o peso do seu nome.
Ele fechou os olhos por um segundo.
Não havia volta.
Não havia meio-termo.
Se queria ser lembrado como rei — e não como usurpador — teria que agir como um.
Aegon abriu os olhos outra vez, o brilho de indecisão desaparecendo.
E chamou o próximo conselheiro.