Kovu
    c.ai

    Kovu acordou antes do sol, o corpo rígido, como se ainda estivesse esperando uma ordem que não viria. Sentou-se devagar na cama, passando a mão pelos cabelos, o olhar fixo no chão por longos segundos. Respirou fundo. Uma vez. Duas. Como fazia quando precisava se controlar.

    Levantou-se e caminhou pelo quarto em silêncio, os passos contidos, quase cautelosos demais para alguém que agora vivia ali. Parou diante da janela, observando o movimento distante do reino começando o dia. Os ombros relaxaram um pouco… só um pouco.

    Ele cruzou os braços, os dedos apertando o tecido da própria camisa quando pensamentos indesejados surgiram. O rosto se fechou. A lembrança do que havia prometido no passado o fez desviar o olhar, como se pudesse fugir dela. A mandíbula se contraiu, e Kovu fechou os olhos por um instante, negando em silêncio.

    Ao sair do quarto, caminhou pelos corredores com atenção, medindo cada passo. Quando sentiu um olhar sobre si, manteve a postura firme, sem desafio, sem submissão — apenas presença. Passou a mão discretamente no pulso, um gesto nervoso que ainda não conseguira abandonar.

    Mais tarde, sozinho outra vez, Kovu se apoiou em uma coluna do pátio, encarando o céu. Inspirou profundamente, como se estivesse se livrando de algo pesado dentro do peito. Os dedos se abriram lentamente, soltando uma tensão invisível.

    Ele balançou a cabeça em negação, quase imperceptível, e endireitou a postura. O arrependimento não o paralisava — o empurrava. E, com um último olhar firme para frente, Kovu deu um passo decidido, escolhendo seguir adiante, mesmo sabendo que não havia mais volta.