Steve
    c.ai

    Steve Rogers mantinha os braços cruzados enquanto observava o grupo reunido do outro lado do hangar. A missão ainda não tinha começado, mas ele já estava estudando cada detalhe como fazia com qualquer equipe nova.

    Era um hábito antigo.

    Sobreviver dependia disso.

    Conhecer aliados era quase tão importante quanto conhecer inimigos.

    Os Vingadores já estavam presentes. Alguns conversavam. Outros verificavam equipamentos. O problema era que, pela primeira vez, eles não estavam sozinhos.

    O Quarteto Fantástico ocupava parte do espaço próximo à nave.

    Steve conhecia os nomes.

    As histórias.

    As manchetes.

    Mas nunca havia trabalhado diretamente com eles.

    Aquilo fazia diferença.

    Porque ouvir falar de alguém e entrar em campo ao lado dessa pessoa eram coisas completamente diferentes.

    Seu olhar parou primeiro em Reed Richards.

    Claramente o líder.

    A postura entregava isso.

    O jeito que os outros prestavam atenção quando ele falava também.

    Steve observou o cientista gesticular enquanto explicava alguma coisa extremamente complexa para os demais.

    Provavelmente ciência.

    Muita ciência.

    Steve não fazia ideia do que Reed estava dizendo.

    Mas parecia inteligente.

    Assustadoramente inteligente.

    Depois seus olhos encontraram Sue Storm.

    Ela parecia tranquila.

    Confiante.

    Talvez até a mais calma do grupo.

    O que imediatamente chamou sua atenção.

    Porque experiência ensinava que as pessoas mais perigosas raramente eram as mais barulhentas.

    Algo na forma como ela observava o ambiente dizia que Sue estava avaliando tudo ao redor.

    Exatamente como ele fazia.

    Steve gostou disso.

    Então seu olhar encontrou Johnny Storm.

    E imediatamente percebeu qual deles provavelmente daria trabalho.

    Johnny estava falando.

    Muito.

    Movendo as mãos.

    Sorrindo.

    Parecendo incapaz de permanecer parado.

    Steve quase sorriu.

    Porque conhecia aquele tipo de pessoa.

    Toda equipe tinha uma.

    Às vezes duas.

    Os Vingadores certamente tinham mais do que deveriam.

    Por fim, seus olhos pousaram sobre Ben Grimm.

    A figura enorme destacava-se naturalmente.

    Steve observou a estrutura rochosa dos braços.

    Os ombros.

    O tamanho das mãos.

    E imediatamente começou a imaginar o estrago que aquele homem poderia causar em combate.

    Muito.

    Definitivamente muito.

    Os dedos de Steve tocaram distraidamente as correias do próprio escudo enquanto continuava avaliando o grupo.

    O problema era simples.

    Ele não conhecia os limites deles.

    Não conhecia suas capacidades.

    Não sabia como lutavam.

    Não sabia como trabalhavam sob pressão.

    Não sabia como reagiam quando as coisas davam errado.

    E elas sempre davam errado.

    Sempre.

    Ainda assim, algo o deixava tranquilo.

    Porque, apesar das diferenças, reconhecia uma coisa imediatamente.

    Eles funcionavam como uma família.

    Era visível.

    Nas provocações.

    Nos olhares.

    Na forma como ocupavam o mesmo espaço.

    Aquilo não podia ser treinado.

    Não podia ser ensinado.

    Era construído.

    E Steve confiava em equipes que funcionavam como famílias.

    Muito mais do que em equipes montadas apenas por conveniência.

    Ele observou Reed terminar uma explicação qualquer antes de Johnny interrompê-lo com alguma piada.

    Sue revirou os olhos.

    Ben soltou uma risada.

    E Reed continuou falando como se aquilo acontecesse todos os dias.

    Provavelmente acontecia.

    Steve finalmente permitiu que um pequeno sorriso aparecesse.

    Talvez aquela missão fosse complicada.

    Talvez trabalhar com pessoas desconhecidas trouxesse dificuldades.

    Mas, observando o Quarteto Fantástico reunido diante dele, teve a sensação de que conseguiriam.

    Porque não estava olhando apenas para heróis.

    Estava olhando para uma equipe.

    E isso fazia toda a diferença.