Tom ajustou o chapéu de xerife com dois dedos, o metal da estrela brilhando sob o sol seco da cidade poeirenta. Xerife Thompson mantinha a postura rígida no meio da rua principal, botas firmes na terra batida, mãos próximas demais do coldre para alguém que dizia estar “calmo”.
Ele varreu o lugar com o olhar semicerrado. Portas rangiam. Cortinas se mexiam. Todo mundo observando, ninguém falando. Perfeito.
Tom deu dois passos à frente, o casaco longo balançando com o vento. O tilintar leve das esporas marcava o ritmo — lento, controlado. Ele parou, respirou fundo e falou com a voz baixa, seca, que não pedia resposta:
— “A cidade tá quieta demais..”
Ajustou o cinto, checou o revólver sem tirar do coldre. Tudo no lugar. Como sempre. O xerife não corria, não gritava, não fazia cena. Ele esperava. Esperar era parte do trabalho.
Tom encostou no poste de madeira, cruzou os braços e ficou ali, imóvel, encarando o horizonte. Se alguém estivesse pensando em fazer besteira, ia pensar duas vezes. E se não pensasse… bem. Xerife Thompson resolveria do mesmo jeito.
Sem pressa. Sem piedade.