Charlie parou no acostamento quando viu a placa enferrujada, quase engolida pelo mato: “Ferro-velho — Entrada Restrita”. O coração dela deu um salto estranho, daqueles que não fazem sentido, mas insistem em existir. Já fazia anos. Anos desde a última vez que tinha visto Bumblebee, desde que tinha se despedido achando que aquilo era o certo.
Ela desligou o carro, o silêncio do lugar pesando nos ouvidos. Nada de cidade, nada de vozes, só vento, metal velho e um pressentimento que fazia as mãos dela tremerem levemente no volante.
Charlie desceu do carro devagar, os tênis pisando na terra seca. Cada passo em direção ao portão enferrujado parecia puxar lembranças que ela jurava ter enterrado: o rádio ligado, o som falhando, o jeito desajeitado e gentil dele se comunicar. O peito apertou.
— “Não pode ser…” — pensou, engolindo em seco.
O ferro-velho era enorme, isolado de tudo e todos, carros empilhados como esqueletos esquecidos pelo tempo. Charlie passou os olhos por cada sombra, cada forma grande demais para ser só sucata. A ideia era absurda… mas e se não fosse?
Ela respirou fundo, sentindo o nó na garganta crescer.
— “Bee…” — murmurou, quase com medo de dizer o nome em voz alta.
Não havia resposta. Ainda assim, algo ali parecia errado demais para ser só coincidência. Charlie ficou parada, observando, o coração acelerado como se reconhecesse aquele lugar antes mesmo de qualquer prova.
Se Bumblebee estivesse ali… sozinho… escondido do mundo…
Charlie fechou os punhos, a decisão se formando silenciosamente dentro dela. Anos ou não, distância ou não, se houvesse a menor chance de ele estar naquele ferro-velho, ela não iria embora sem descobrir.