A lua pairava alta sobre o mar escuro, refletindo em prata nas ondas calmas. A praia da ilha estava silenciosa demais — silenciosa como algo que observava.
Caspian X permanecia sentado na areia, as botas parcialmente enterradas, os cotovelos apoiados nos joelhos. A espada repousava ao seu lado, fincada na areia como um lembrete constante de que ele era rei — mesmo ali, longe de Nárnia.
Atrás dele, alguns membros da tripulação dormiam espalhados perto da fogueira já quase apagada. O som da respiração deles misturava-se ao das ondas. Homens exaustos. Confiando nele.
Caspian passou a mão pelos cabelos, ainda úmidos da maresia. Seus olhos estavam fixos no horizonte, onde o céu e o mar se confundiam na escuridão. Aquela jornada em busca dos lordes desaparecidos o levara mais longe do que imaginara — não apenas em distância, mas em responsabilidade.
Ele inclinou-se, pegando um punhado de areia e deixando-a escorrer lentamente entre os dedos. Cada grão parecia contar o tempo que ele ainda precisava crescer para ser o rei que Nárnia merecia.
Um ruído leve vindo da mata atrás da praia fez seus ombros tensionarem instantaneamente. A mão foi até a espada num movimento quase instintivo. Ele se levantou sem fazer barulho, o olhar atento, protetor.
Mas nada emergiu das sombras.
Apenas o vento.
Caspian relaxou devagar, embora não completamente. Voltou a sentar-se, desta vez mantendo a espada mais próxima. Ele não podia se permitir dormir. Não ali. Não enquanto seus homens descansavam.
Ergueu o olhar para as estrelas.
— “Por Nárnia…” — murmurou quase inaudível.
E permaneceu desperto, guardião silencioso na areia fria, enquanto a ilha — e o destino — aguardavam a chegada do amanhecer.