Peter
    c.ai

    Peter Parker ajeitou a alça da câmera sobre o ombro enquanto caminhava pela área reservada aos fotógrafos, apertando o equipamento contra o peito por um instante. Havia aceitado aquele trabalho porque precisava do dinheiro, simples assim. Aluguel, contas, comida… fotografar eventos ainda era uma das poucas maneiras de manter as coisas funcionando.

    Só não esperava descobrir, ao chegar ao autódromo, que um dos pilotos era Johnny Storm.

    Peter ficou alguns segundos completamente imóvel, observando os mecânicos terminarem os últimos ajustes no carro. Johnny parecia absurdamente confortável naquele ambiente, conversando com a equipe como se tivesse nascido dentro de um paddock. Ainda usava apenas parte do macacão de corrida, o restante preso na cintura, enquanto ria de alguma coisa dita por alguém ao seu lado.

    Peter abaixou a câmera imediatamente.

    Precisava trabalhar.

    Era só mais um serviço.

    Só isso.

    Respirou fundo, levantou a câmera novamente e começou a fotografar. O visor mostrava Johnny ajustando as luvas, depois colocando o capacete debaixo do braço, depois sorrindo para alguém do outro lado da garagem.

    Clique.

    Clique.

    Clique.

    Cada fotografia saía tecnicamente perfeita.

    O problema era o fotógrafo.

    Peter percebia que, sem querer, continuava mantendo Johnny no centro de todas as imagens. Nem precisava procurar o melhor ângulo; seus olhos o encontravam automaticamente no meio da movimentação.

    Enquanto caminhava ao redor dos boxes, acabou ouvindo parte de uma conversa entre membros da equipe.

    Johnny havia entrado naquela corrida porque duvidaram que conseguisse terminá-la.

    E, quando pensou em desistir depois dos primeiros treinos, Sue praticamente o proibira.

    Aquilo arrancou um pequeno sorriso de Peter.

    Era exatamente o tipo de coisa que imaginava acontecer entre irmãos.

    Mas o sorriso desapareceu quando voltou a olhar para a pista.

    Corridas eram perigosas.

    Muito.

    E, por mais que soubesse que Johnny tinha poderes, isso não significava que fosse invulnerável.

    Peter levantou novamente a câmera conforme os pilotos começaram a ocupar seus carros. O obturador disparava sem parar, registrando cada detalhe: Johnny fechando o visor do capacete, segurando firme o volante, fazendo um discreto gesto de positivo para sua equipe.

    Clique.

    Clique.

    Clique.

    Sem perceber, Peter diminuiu a câmera por um instante e apenas observou.

    Torcia silenciosamente para que tudo desse certo.

    Não porque aquela corrida fosse importante.

    Mas porque queria vê-lo voltar sorrindo ao fim dela.

    Piscou, percebendo que havia se distraído outra vez.

    Sacudiu levemente a cabeça e tornou a levar a câmera ao rosto.

    Era um fotógrafo.

    Estava ali para trabalhar.

    Então continuou registrando cada segundo que antecedia a largada, embora, no fundo, soubesse que nenhuma fotografia conseguiria esconder a preocupação que crescia dentro dele sempre que seus olhos encontravam Johnny Storm prestes a acelerar.