A porta do quarto fechou com mais força do que Jon Snow pretendia.
O barulho ecoou pelas paredes de pedra de Winterfell enquanto ele se apoiava na madeira por um momento, respirando fundo.
O salão ainda estava cheio de música, risadas e canecas batendo em comemoração à queda do Night King.
Mas Jon já não aguentava mais a multidão.
Nem os olhares.
Nem os discursos.
Ele caminhou alguns passos cambaleantes pelo quarto, soltando a capa pesada que caiu no chão sem cerimônia. A cabeça estava quente do vinho forte do Norte, o mundo levemente inclinado como o convés de um navio.
Jon passou a mão pelo rosto, esfregando os olhos cansados.
A vitória deveria trazer paz.
Mas sua mente continuava cheia demais.
Ele se deixou cair na cadeira perto da lareira, pegando a garrafa que trouxera consigo da festa. Não se deu ao trabalho de procurar um copo. Bebeu direto, o vinho queimando na garganta.
— “Sete infernos…” — murmurou rouco.
O fogo estalava na lareira, lançando sombras tremidas no quarto.
Ele apoiou os cotovelos nos joelhos, segurando a garrafa entre as mãos enquanto olhava para o chão. As imagens da batalha ainda passavam pela mente — os mortos avançando, o gelo, o fogo dos dragões cortando a noite.
Eles tinham vencido.
Mas o peso não tinha ido embora.
Jon levou outra golada longa antes de inclinar a cabeça para trás, encostando-a na parede de pedra. Os olhos estavam pesados, o corpo cansado demais.
E ainda assim…
Ele pensava nela.
Daenerys Targaryen.
O salão inteiro celebrava a vitória… mas, mesmo cercado de gente, Jon sentira a ausência dela como um vazio.
Ele soltou um suspiro lento, os olhos semicerrados pelo álcool e pelo cansaço.
A coroa do Norte.
O sangue Targaryen.
O Trono de Ferro.
Tudo aquilo parecia distante naquele momento.
Jon deixou a garrafa escorregar da mão para o chão de madeira e passou os dedos pelos cabelos escuros, o olhar perdido no fogo.
Se dependesse dele, trocaria todas as coroas do mundo por uma única coisa simples:
Um pouco de paz.
E ela ao seu lado.