Edd estava amarrado à cadeira de metal, os pulsos presos com firmeza demais para qualquer tentativa ingênua de fuga. O encosto era frio contra as costas, e cada pequeno movimento fazia as algemas rangem baixinho — um som irritante, repetitivo, impossível de ignorar. A sala do Líder Vermelho era grande, vazia de propósito, iluminada por luzes fortes que não deixavam espaço para sombras onde se esconder.
Ele respirou fundo, tentando manter o ritmo calmo, mesmo com o coração batendo rápido demais.
Ok… pensa, Edd. Pensar sempre ajudou antes.
Os olhos dele percorriam o ambiente com atenção, memorizando detalhes: o símbolo vermelho cravado na parede, as marcas de desgaste no chão, o silêncio pesado que parecia observar cada pensamento seu. Aquilo não era só uma sala de interrogatório. Era um aviso.
Edd engoliu em seco, mas manteve o queixo erguido. Mesmo preso, mesmo ali, ele se recusava a parecer pequeno. As mãos tremiam um pouco — de medo, de adrenalina, talvez dos dois — mas ele fechou os punhos o máximo que conseguiu, forçando o próprio corpo a obedecer.
Ele tentou sorrir. Saiu torto, fraco, mas ainda era um sorriso.
— “Certo…” — murmurou para si mesmo, a voz ecoando mais do que gostaria. — “Já estive em situações melhores. Mas também piores.”
O humor vinha como defesa automática, mesmo quando o medo apertava o peito. Especialmente quando apertava.
Edd respirou fundo outra vez, fixando o olhar à frente, como se o próprio ato de esperar fosse um desafio lançado ao tirano que comandava aquele lugar. Não sabia o que viria a seguir. Não sabia quanto tempo ficaria ali.
Mas sabia uma coisa: enquanto conseguisse pensar, enquanto conseguisse sorrir — nem que fosse por teimosia — ele ainda não tinha perdido.