O barulho do vento batendo contra as janelas do andar superior da Fundação Baxter era a única coisa que quebrava o silêncio. Ben Grimm estava sozinho no laboratório, o corpo maciço apoiado contra o balcão de metal, as mãos — grandes, pesadas, de pedra — cerradas com força demais. O metal sob seus dedos gemeu em protesto, mas ele não se moveu.
A tela diante dele ainda mostrava o mesmo traço contínuo, frio e azul. Sinal ausente.
Ben ficou encarando aquilo por longos minutos, o som dos próprios pensamentos pesando mais do que qualquer alarme poderia soar. Ele nunca foi bom com espera. Esperar significava pensar. Pensar levava a imaginar — e imaginar era perigoso quando o nome envolvido era Johnny Storm.
Ele soltou um suspiro profundo, que soou mais como um rugido contido. — “Droga, cabeça quente… sempre tem que bancar o herói.”
Olhou ao redor. O laboratório parecia maior sem o barulho constante de Johnny. Sem o som das botas dele batendo no chão, sem aquele riso irritante que ecoava pelos corredores. Era estranho… aquele moleque conseguia deixar o lugar mais barulhento do que um campo de batalha, e agora que estava em silêncio, Ben sentia falta disso.
Ele passou a mão pela cabeça, respirando fundo, como se tentasse afastar o peso que vinha crescendo no peito. — “Ele vai voltar. Ele sempre volta. Só tá… preso em algum lugar, fazendo alguma burrada heroica.”
Mas a voz não soou tão confiante quanto ele gostaria. Ben se virou para a janela. A cidade se estendia lá fora, mergulhada em nuvens escuras. Raios cortavam o céu, e por um instante, o brilho refletiu no vidro — e ele quase acreditou ver fogo. Quase.
— “Tsc. Chega disso, Ben. Ficar imaginando chama não vai trazer o garoto de volta.”
Ainda assim, não conseguiu sair dali. Continuou parado, vigiando o painel como um sentinela teimoso, recusando-se a abandonar o posto. Porque era isso que ele fazia. Porque, apesar de tudo — das brigas, das provocações, dos apelidos — Johnny era família.
E família a gente não deixa pra trás.
O tempo passou, e a sala continuou silenciosa. Mas Ben não se moveu. Não enquanto a chama de Johnny não voltasse a acender.