William Afton estacionou o carro em frente à própria casa com a precisão de sempre, desligando o motor alguns segundos antes do necessário, apenas para respirar fundo. As luzes estavam acesas demais. Risadas vinham do quintal. Vozes altas. Música comum, irritante.
Uma festa.
Na casa dele.
O maxilar se contraiu por um instante — o único sinal real de desagrado. William odiava os vizinhos. Odiava o barulho, a informalidade, a falsa intimidade. Odiava, principalmente, ter que participar. Ainda assim, quando saiu do carro, o rosto já estava composto.
O sorriso veio fácil. Treinado. Impecável.
Ele ajeitou o paletó, passou a mão pelos cabelos e caminhou em direção ao portão como se aquela fosse exatamente a noite que ele desejava. Cumprimentou o primeiro vizinho com um aceno educado, olhos atentos, postura relaxada.
— “Boa noite.” — disse, cordial, a voz suave demais para ser real. — “Fico feliz que tenham vindo.”
Por dentro, cada gargalhada era um ruído intolerável. Cada toque no braço, uma invasão. William observava tudo com cuidado clínico, catalogando rostos, gestos, tons de voz. Ele escutava, respondia no tempo certo, ria quando esperado.
Perfeito.
Enquanto servia bebidas e trocava frases vazias, seus olhos percorriam o quintal iluminado, calculando rotas, saídas, distâncias. O anfitrião ideal. Educado. Agradável. Confiável.
Ninguém percebia o quanto aquilo o enojava.
William Afton levantou o copo em um brinde improvisado, o sorriso intacto, os olhos frios demais para quem estava se divertindo.
Ele fingia perfeitamente.
Sempre fingiu.