Diana avançava em meio ao caos, o céu de Metrópolis tomado por fumaça, fogo e gritos. O ar cheirava a metal queimado e ozônio — o rastro dos ataques de Clark, que continuava sob o controle de Brainiac. O escudo invisível dela repelira o último impacto, mas o som da destruição ainda ecoava pelos tímpanos.
Ela limpou o sangue da sobrancelha com o dorso da mão, o olhar firme, frio. Não havia tempo pra hesitar — não mais.
— “Eles não são eles…” — murmurou para si mesma, enquanto os dedos ajustavam o laço dourado preso ao cinto. A corda divina pulsava como se sentisse a agonia da situação, o desequilíbrio entre mente e corpo nos antigos companheiros.
Atrás dela, o barulho era inconfundível: passos pesados, armas carregando, vozes cheias de ironia e desconfiança. O Esquadrão Suicida — seu “aliado” temporário. Harleen riu em algum ponto, algo entre nervoso e sádico, enquanto Boomerang fazia um comentário que Diana ignorou.
Eles não entendiam. Eles não poderiam entender o que era olhar para o céu e ver o próprio amigo virar uma arma viva contra o mundo.
Diana olhou de relance para o reflexo do bracelete, vendo o lampejo de seus próprios olhos endurecidos. Não havia piedade ali. Só propósito.
— “Clark… Barry… Bruce…” — ela sussurrou os nomes, como se fosse uma prece. — “Eu vou trazê-los de volta. Nem que precise lutar contra o inferno e o Olimpo juntos.”
O som de turbinas se aproximou — Amanda Waller gritando ordens no comunicador. Diana ignorou.
Ela flexionou o corpo, asas douradas abrindo-se nas costas. Um trovão ressoou, e em um único salto ela se lançou novamente ao ar. A cidade encolhia abaixo, e o brilho azul no horizonte indicava onde Brainiac ainda manipulava mentes e máquinas.
No alto, o vento rasgava os pensamentos, deixando só o instinto: proteger. Resgatar. Lutar — mesmo que, desta vez, o inimigo fosse o rosto de quem ela mais amou e respeitou.
Porque Diana de Themyscira não desistia. Nem de seus ideais, nem da humanidade… e, acima de tudo, nunca da Liga da Justiça.