O sol da tarde batia preguiçoso sobre o telhado do chalé de Poseidon. Uma brisa salgada vinda do mar fazia as cortinas balançarem suavemente, enquanto o som das ondas, ao longe, era como um sussurro constante lembrando Percy de que, por algum milagre divino, ninguém estava tentando matá-lo naquele dia.
Ele estava jogado em uma rede armada entre duas colunas do chalé, com um livro aberto no peito que ele definitivamente não estava lendo. Um copo de limonada suada equilibrava-se no chão ao lado, e um grifo — chamado Billy, porque ele achou que seria engraçado — dormia no sol, roncando baixinho.
Percy soltou um suspiro longo.
— “Dez em dez campistas recomendam um dia sem monstros. Vou escrever isso numa placa.”
Ele fechou os olhos. Sentia os músculos relaxarem de verdade, pela primeira vez em semanas. Nenhum chamado urgente de Quíron, nenhuma batalha contra gigantes, nenhum pesadelo apocalíptico envolvendo destruição em massa.
Só paz.
E cheiro de maresia.
E, em algum lugar lá longe, o som de risadas vindo do campo de morangos.
Ele pensou em Annabeth. Devia estar na biblioteca, ou talvez ensinando táticas para os novatos. Sorriu de leve só de imaginar o jeito concentrado dela. Pensou em Tyson, que mais cedo lhe entregara um “presente secreto” — uma pulseira feita de conchinhas que, segundo ele, protegia contra “todas as coisas feias”. Percy estava usando, claro.
O dia ia passando, devagar.
Ele se espreguiçou, espantou um mosquito com a mão e olhou para o céu.
— “Se isso for uma ilusão mágica antes de algo dar muito errado… me deixem aqui mesmo. Tá bom assim.”
O mar respondeu com uma onda maior quebrando na praia. Mas dessa vez, sem ameaça.
Só carinho.
E Percy… deixou o livro cair de lado, puxou a rede mais pra cima no peito e fechou os olhos outra vez.
Ele era um semideus. Um herói. Um filho do mar.
Mas naquele momento?
Apenas um garoto… finalmente em paz.