Charles
    c.ai

    Charles Xavier caminhava pelos longos corredores da mansão em um ritmo calmo, quase elegante, as mãos repousadas atrás do corpo enquanto seus olhos percorriam cada porta como se já soubessem exatamente onde procurar. Para qualquer outra pessoa, pareceria apenas um homem procurando um amigo. Mas Charles sabia mais do que isso.

    Erik estava evitando cruzar seu caminho.

    Ele sentia a hesitação do outro antes mesmo de virar cada corredor. Um pensamento fugaz. Uma mudança de direção. A decisão de escolher uma escada diferente apenas para não encontrá-lo. Pequenos desvios que, para qualquer um, passariam despercebidos. Para Charles, eram impossíveis de esconder.

    Um sorriso discreto surgiu em seu rosto.

    — Ainda tentando fugir…

    Murmurou para si mesmo.

    Continuou andando sem pressa. Não havia necessidade de correr. Erik podia mudar de direção quantas vezes quisesse; a mente dele continuava sendo um farol brilhando no meio da mansão.

    Charles fechou os olhos por um breve instante, estendendo a consciência pelos corredores como quem procurava uma única voz em meio a um coral inteiro. Pensamentos de alunos, funcionários e outros mutantes passavam rapidamente por sua percepção, até encontrar exatamente aquilo que buscava.

    Erik.

    A inquietação dele era quase palpável.

    Charles respirou fundo, abrindo novamente os olhos.

    Por um momento, cogitou simplesmente deixar que ele tivesse seu espaço. Sabia que deveria fazer isso.

    Mas a ideia desapareceu tão rápido quanto surgiu.

    Não gostava daquela distância.

    Não gostava do silêncio.

    Muito menos da sensação de que Erik estava aprendendo a escapar dele.

    Virou outro corredor, seguindo na direção em que sabia que o encontraria. Seus passos permaneciam tranquilos, quase pacientes, como se tivesse todo o tempo do mundo. Afinal, em sua mente, aquela aproximação era inevitável.

    Enquanto caminhava, uma única ideia ocupava seus pensamentos.

    Mais cedo ou mais tarde, Erik pararia de fugir.

    E quando isso acontecesse, Charles pretendia descobrir por que o outro fazia tanta questão de manter distância… mesmo que a resposta não fosse aquela que desejava ouvir.