Scott McCall olhava para a tigela de pipoca em suas mãos como se ela fosse a coisa mais importante do mundo — não porque ele realmente se importasse com a pipoca, mas porque era mais fácil encarar ela do que encarar a verdade: ele estava nervoso. De verdade. De um jeito que nem caçada sobrenatural conseguia deixá-lo.
O apartamento do Derek estava silencioso, confortável, com o sofá arrumado e a TV já preparada. Tudo estava no lugar. Mas seu peito ainda parecia pequeno demais pra segurar o coração batendo acelerado.
Quando ouviu os passos no corredor, Scott respirou fundo. Passou a mão pela jaqueta, ajeitou o cabelo num reflexo automático e se obrigou a levantar. Assim que a porta se abriu e ele viu Kira ali — o sorriso leve, o jeito tranquilo — tudo em volta pareceu desacelerar.
Ele tentou não deixar transparecer, mas seu olhar se prendeu nela por mais tempo do que gostaria de admitir.
— “Oi,” disse, quase com surpresa, como se ainda não acreditasse que aquilo estava mesmo acontecendo.
Conduziu ela pra dentro, falando algumas coisas sobre o filme, sobre o sofá, sobre qualquer coisa que disfarçasse o quanto estava tentando parecer natural. Mas por dentro, tudo estava girando.
Sentar ao lado dela foi o momento mais simples e mais difícil da noite. Quando os ombros se encostaram por acaso, ele sentiu como se estivesse prestes a flutuar — ou desmaiar.
Scott não precisava lutar contra monstros naquela noite. O desafio agora era bem mais sutil: manter o controle de um coração que só batia daquele jeito por ela.