Tom Ridgewell
    c.ai

    Tom estava sentado na cadeira de contenção, os pulsos presos por algemas magnéticas frias demais contra a pele. O visor cobrindo seus olhos emitia um brilho baixo, linhas de dados deslizando silenciosamente pela superfície translúcida. Mesmo assim, ele mantinha a cabeça erguida, a postura rígida — orgulho era a última coisa que ainda não tinham conseguido arrancar dele.

    A cela era estreita, concreta, iluminada apenas por uma lâmpada branca que piscava em intervalos irregulares. Um erro calculado. Tudo ali parecia feito para desorientar. Tom percebeu isso imediatamente. Analisou padrões, tempos, falhas. Sempre analisava.

    Passos ecoaram do lado de fora. Vozes baixas. Um aliado de Tord. Aliado. A ironia quase o fez rir.

    — “Ameaça interna..” — tinha sido isso. Um rótulo simples, eficiente, injusto. Tom não havia levantado a voz, não havia questionado ordens. Mas pensar demais, observar demais… isso bastava para assustar gente medíocre.

    Ele respirou fundo, o visor ajustando automaticamente o foco enquanto ele erguia levemente o rosto em direção ao vidro reforçado da cela. Não havia medo no gesto. Apenas frieza.

    Se Tord soubesse, pensou.

    E esse pensamento doeu mais do que as algemas.

    Tom cerrou os punhos o quanto pôde, o maxilar tenso. Não era ali que ele deveria estar. Não depois de tudo que tinha feito certo. Não depois de ter se moldado em algo impecável, afiado, útil.

    Ele permaneceu em silêncio absoluto, cada segundo usando a raiva como combustível, não como fraqueza. Aquilo era um erro. E erros, mais cedo ou mais tarde, eram corrigidos.

    Seja por explicação. Ou por consequências.

    E quando aquela porta se abrisse novamente, Tom estaria pronto — visor aceso, mente intacta, lealdade ainda firme… mesmo que ninguém ali parecesse merecê-la.