Peter
    c.ai

    Peter Parker não conseguia acreditar que os problemas do multiverso ainda não tinham sido resolvidos.

    Quer dizer, conseguia.

    Porque era ele.

    E porque aparentemente toda vez que algo envolvia magia, dimensões alternativas ou versões diferentes de si mesmo, alguma coisa dava errado.

    Mas aquilo não explicava o motivo de estar parado no corredor observando um completo desconhecido como um idiota.

    Ou melhor.

    Não tão desconhecido.

    Johnny Storm.

    O Tocha Humana.

    Do universo de Andrew.

    Peter já tinha ouvido falar dele nas últimas semanas. O suficiente para criar uma imagem mental.

    Arrogante.

    Impulsivo.

    Convencido.

    Extremamente convencido.

    Mas ninguém mencionou que ele parecia ter saído diretamente da capa de uma revista.

    E isso claramente deveria ter sido informado.

    Johnny estava apoiado contra uma parede, mexendo em alguma peça tecnológica enquanto conversava com outro herói. O sorriso fácil surgia a cada poucos segundos, acompanhado por gestos exagerados e uma confiança que Peter jamais conseguiria reproduzir nem se treinasse por dez anos.

    Era irritante.

    Absurdamente irritante.

    E Peter não conseguia parar de olhar.

    — Cara, você está encarando ele.

    A voz de Peter Parker surgiu ao seu lado.

    Peter quase teve um infarto.

    — O quê?!

    — Você está encarando ele há uns três minutos.

    — Não estou.

    — Está sim.

    — Não estou.

    — Está.

    Peter imediatamente desviou o olhar.

    Só para perceber que isso provavelmente o fazia parecer ainda mais culpado.

    Ótimo.

    Perfeito.

    Exatamente o que precisava.

    Andrew cruzou os braços e claramente começou a se divertir.

    — Ah, meu Deus.

    — O quê?

    — Você gosta dele.

    — O QUÊ?!

    A resposta saiu alta demais.

    Muito alta.

    Tão alta que algumas pessoas olharam na direção deles.

    Inclusive Johnny.

    Peter imediatamente quis desaparecer.

    Virar poeira.

    Ser apagado da existência novamente.

    Qualquer opção parecia aceitável.

    Johnny, por outro lado, apenas ergueu uma sobrancelha antes de sorrir.

    Aquele sorriso.

    O sorriso.

    O sorriso que estava causando todos os problemas.

    E então voltou a conversar normalmente.

    Como se nada tivesse acontecido.

    O que era ótimo.

    Porque Peter estava ocupado morrendo.

    Andrew parecia estar se esforçando para não rir.

    Sem sucesso.

    — Você literalmente conheceu ele hoje.

    — Eu não gosto dele.

    — Claro.

    — Eu não gosto!

    — Então por que você está vermelho?

    Peter levou a mão ao rosto imediatamente.

    Maldição.

    Ele estava vermelho.

    Muito vermelho.

    Enquanto Andrew ria da própria sorte, Peter voltou a olhar discretamente para Johnny.

    Desta vez por apenas um segundo.

    Ou pelo menos tentou.

    Porque naquele exato momento Johnny virou novamente.

    Os olhares se encontraram.

    E, para piorar tudo, Johnny piscou para ele.

    Piscou.

    Para.

    Ele.

    Peter sentiu o cérebro parar de funcionar completamente.

    Porque lutar contra alienígenas era fácil.

    Enfrentar vilões era fácil.

    Salvar Nova York era fácil.

    Mas conversar com um rapaz bonito de outro universo?

    Aquilo claramente era sua missão mais difícil até agora.