Oliver Queen
    c.ai

    O elevador subiu com aquele som metálico e antigo que Oliver Queen ainda não conseguia se acostumar. Ele estava ali há poucos minutos, mas a sensação era de estar prestes a enfrentar uma missão — e não uma visita. As portas se abriram no andar do escritório de advocacia, e o cheiro de café forte e papel recém-impresso o atingiu como uma lembrança viva de outro tempo.

    Laurel Lance trabalhava ali. E só de pensar nisso, o peito dele pareceu apertar.

    Oliver caminhou pelo corredor, as botas pesadas soando contra o piso de madeira. As pessoas o olhavam — algumas com curiosidade, outras com desconfiança. Fazia sentido. Ele era o homem que todos acreditavam ter morrido, o herdeiro de uma das famílias mais comentadas de Starling City. Mas, naquele momento, tudo o que ele queria era que o mundo parasse de observá-lo.

    Quando chegou à porta de vidro com o nome Laurel Lance gravado em letras discretas, parou. A mão dele pairou sobre a maçaneta, hesitante. O reflexo devolvia um homem que parecia mais velho, mais cansado — o tipo de olhar que cinco anos em uma ilha cruel esculpiam em alguém.

    Ele respirou fundo. Parte dele queria simplesmente virar as costas e ir embora. Mas Laurel merecia mais do que fantasmas batendo à sua porta.

    Empurrou a porta devagar. O som do escritório lá dentro — vozes abafadas, folhas virando, o tilintar de uma caneca — pareceu engolir o silêncio que ele trazia. Oliver deu alguns passos, o olhar percorrendo o ambiente com aquela mistura de reconhecimento e distância. Tudo ali lembrava o que ele havia perdido.

    Ele não chamou o nome dela de imediato. Em vez disso, ficou parado, observando.

    O espaço tinha a ordem e a energia de Laurel — concentrada, justa, determinada. As fotos nas prateleiras, os livros de direito empilhados, até o casaco pendurado na cadeira pareciam gritar que ela havia seguido em frente.

    E ele… ainda estava tentando lembrar quem era.

    Oliver inspirou lentamente, sentindo o peso das palavras que não saberia dizer. “Desculpa”, talvez. “Senti sua falta.” Ou só “Oi”.

    Nada soava certo.

    Então, ficou ali — imóvel, com a mão no bolso e os pensamentos em guerra. Cinco anos de inferno e dor o prepararam para tudo, exceto para isso: olhar para uma porta aberta e perceber que o maior desafio da vida dele ainda era encarar Laurel Lance.